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Mãe do filho de Elon Musk processa empresa de IA do empresário por imagens de conteúdo sexual

Mulher alega que as imagens incluem uma foto sua vestida aos 14 anos, alterada para a mostrar em biquíni.

17 de janeiro de 2026 às 07:12

A mãe de um dos filhos de Elon Musk está a processar a empresa de inteligência artificial (IA) do empresário, alegando que a ferramenta Grok permitiu aos utilizadores gerar imagens 'deepfake' de exploração sexual.

Ashley St. Clair, de 27 anos, alega num processo aberto na quinta-feira em Nova Iorque contra a empresa xAI que as imagens incluem uma foto sua vestida aos 14 anos, alterada para a mostrar em biquíni.

A influenciadora conservadora, de religião judaica, deu como exemplos outras imagens de conteúdo manipulado ('deepfakes') mostrando-a já adulta em poses sexualizadas e a usar um biquíni com suásticas.

Questionada sobre o processo e as alegações de St. Clair, a xAI disse apenas, numa resposta escrita à agência de notícias Associated Press: "Os media tradicionais mentem".

Os advogados da xAI, que desenvolveu a ferramenta de IA Grok, disponibilizada aos utilizadores da rede social X - também detida por Elon Musk - não responderam até ao momento ao processo.

St. Clair disse que denunciou os 'deepfakes' à X depois de terem começado a aparecer, em 2024, e pediu que fossem removidos, por lhe causarem humilhação e sofrimento emocional.

A influenciadora disse que a X respondeu primeiro que as imagens não violavam as políticas da plataforma. Depois, terá prometido não permitir que imagens de St. Clair fossem usadas ou alteradas sem o seu consentimento.

St. Clair disse que a rede social retaliou então, removendo a subscrição paga da X e o selo de verificação, não lhe permitindo ganhar dinheiro com aconta, que tem um milhão de seguidores.

"Sofri e continuo a sofrer dores graves e angústia mental como resultado do papel da xAI na criação e distribuição destas imagens digitalmente alteradas de mim", disse a influenciadora.

"Estou humilhada e sinto que este pesadelo nunca vai acabar enquanto o Grok continuar a gerar estas imagens minhas," acrescentou St. Clair, num documento anexado ao processo.

A influenciadora disse ainda que vive com medo das pessoas que veem os 'deepfakes'.

St. Clair, que é mãe de Romulus, filho de Elon Musk, de 16 meses, vive em Nova Iorque (nordeste), onde apresentou o processo, pedindo uma indemnização de valor não divulgado, bem como ordens judiciais que impeçam imediatamente a xAI de permitir a produção de mais 'deepfakes' da influenciadora.

Na quinta-feira, a xAI também apresentou uma contra-ação contra St. Clair no estado do Texas (sudoeste), alegando que a influenciadora violou os termos do contrato de utilizador da xAI, que exige que as ações judiciais contra a empresa sejam apresentadas no Texas.

Em comunicado, a advogada de St. Clair, Carrie Goldberg, classificou a contra-acção como uma manobra chocante e sem precedentes.

"Mas, francamente, qualquer jurisdição reconhecerá o cerne das alegações da senhora St. Clair --- que, ao fabricar imagens sexualmente explícitas e não consensuais de raparigas e mulheres, a xAI é um incómodo público e um produto não razoavelmente seguro".

A rede social X anunciou na quarta-feira que implementou medidas para impedir que a ferramenta Grok dispa "pessoas reais", em resposta às críticas e à pressão das autoridades de vários países.

"Implementámos medidas tecnológicas para impedir que a conta Grok permita a edição de imagens de pessoas reais com roupas reveladoras, como biquínis", indicou a rede social de Elon Musk numa mensagem publicada na plataforma.

Na semana passada, uma análise conduzida pela organização não-governamental AI Forensics a mais de 20 mil imagens geradas pelo Grok revelou que mais de metade retratava indivíduos com pouca roupa, 81% dos quais eram mulheres e 2% dos quais pareciam ser menores de idade.

O procurador-geral da Califórnia anunciou na quarta-feira a abertura de uma investigação à xAI.

A medida segue-se à de outros países que estão a rever o funcionamento da ferramenta de IA, incluindo a França, o Reino Unido, a Malásia e a Indonésia.

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