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Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Marte poderá ter água no estado líquido

Estudo do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

13 de abril de 2015 às 19:53

Análises de dados do robô Curiosity, da NASA, reforçam a hipótese de que poderá existir em Marte água no estado líquido, revelou esta segunda-feira um estudo, alertando, porém, para a improbabilidade de ser encontrada vida no planeta.

"Descobrimos perclorato de cálcio no solo, que, sob certas condições, absorve o vapor de água presente na atmosfera", explicou um dos coautores da investigação, Morten Bo Madsen, do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

O perclorato, um tipo de sal, baixa o ponto de congelação da água, ao ponto de a tornar líquida.

"Mesmo se a água, sob a forma líquida, exista em Marte, é improvável que se encontre vida", refere, no seu portal, o instituto de Morten Bo Madsen, assinalando que o ambiente do "planeta vermelho" é "demasiado seco, frio e sujeito a radiações cósmicas tão potentes que penetram na superfície, matando todo o tipo de vida", pelo menos a que é comparável com a da Terra.

De acordo com o estudo, publicado na revista Nature, quando a noite cai, uma parte do vapor de água na atmosfera condensa-se à superfície de Marte como gelo.

Contudo, o perclorato de cálcio é muito absorvente e forma com a água uma salmoura, o que diminui o ponto de congelação e permite ao gelo transformar-se em água no estado líquido, explicou Morten Bo Madsen. Sendo o solo poroso, a água infiltra-se.

As observações do robô Curiosity, a subir o Monte Sharp, no meio da cratera Gale, testemunham igualmente a presença de depósitos sedimentares deixados num passado distante por água.

"Estes tipos de depósitos formaram-se quando grandes quantidades de água fluíam ao longo da cratera e alcançaram águas estagnadas, na forma de um lago", adiantou o investigador.

Segundo outro coautor da investigação, Alfred McEwen, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, se existe uma salmoura na cratera de Gale, zona mais quente e seca de Marte, e, portanto, menos propícia para ter esta água salgadíssima, é possível que ela também surja "em muitos outros lugares do planeta".

O robô Curiosity, da agência espacial norte-americana NASA, fixou-se em solo marciano em agosto de 2012, para estudar melhor o planeta.

Há um mês, uma investigação conjunta da NASA e do Observatório Europeu do Sul, organização da qual Portugal faz parte, revelou que um oceano primitivo em Marte continha mais água do que o Oceano Ártico na Terra e cobria uma maior superfície do "planeta vermelho" do que a que é coberta pelo Oceano Atlântico no "planeta azul".

Uma equipa internacional de astrofísicos conseguiu distinguir as assinaturas químicas de dois tipos de água atmosférica de Marte e mapeou "as propriedades da água em diversas regiões da atmosfera" do planeta durante cerca de seis anos.

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