ERC quer ouvir VASP, que está na iminência de cortar rotas
Sucessivas mudanças da composição do governo com troca de áreas de tutela não facilitou diálogo sobre uma operação que é "complexa".
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social quer ouvir, pela primeira vez, a VASP - empresa que assegura a distribuição da imprensa em Portugal e que está na iminência de cortar rotas, devido aos prolongados resultados negativos da operação no interior do país.
A reunião deverá acontecer em fevereiro e surge um dia depois da VASP ter sido ouvida em comissão parlamentar, sobre a crise que afeta a distribuição. Apesar de considerar o “diálogo” positivo, Rui Moura, administrador da empresa, lembra que peca por tardio. “Desde 2020 que pedimos para falar com toda a gente. Pedimos à ERC, ao governo, às câmaras, às entidades intermunicipais”, fez questão de frisar, para salientar que “há muito” que a empresa tenta “reinventar-se”.
“Já cortamos os turnos de três para dois;já cortamos as rotas de 300 para 200 (mas não deixámos de ir a nenhum ponto de venda), as editoras, quem compra e quem vende já está a pagar maise já apresentámos várias soluções. É preciso encontrar uma que sirva toda a cadeia e não apenas para a distribuição”, avisa. Lamenta ainda que nenhuma das “quatro equipas governamentais diferentes que já tiveram a pasta dos Media nos últimos 6 anos” tenha compreendido a complexidade da operação. “Sempre que a pasta muda, voltamos à estaca zero e temos de explicar tudo outra vez:fazemos a impressão, preparação e um empacotamento diferente para cada um dos 6200 pontos de venda, levamos, recolhemos as sobras, emitimos milhares de faturas diariamente. E fazêmo-lo das 2h30 da madrugada às 9 da manhã, 365 dias por ano, sem fins de semana ou feriados. Não vale a pena os deputados compararem a imprensa à distribuição do pão e do peixe ou achar que vai pelo correio. Não é a mesma coisa. Não dá”, frisa. O CM sabe que António Leitão Amaro irá falar ao parlamento sobre o tema na próxima semana.
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