O ‘baselight’ já está a fazer milagres nas novelas brasileiras ‘Páginas da Vida e ‘Sinhá Moça’. A tecnologia holandesa elimina rugas e disfarça a celulite, ou seja, acaba por melhorar a imagem do actor, que perde dez anos.
A imagem com aspecto de cinema de ‘Sinhá Moça’ e o rejuvenescimento do elenco de ‘Páginas da Vida’, em exibição, por enquanto, só no Brasil, são os resultados visíveis do que o ‘baselight permite fazer. “A equipa de ‘Sinhá Moça’ está satisfeita com a estética da novela. Todos saíram a ganhar, particularmente os telespectadores”, sublinha ao CM Ricardo Waddington, realizador do formato que a SIC está a exibir. As duas telenovelas foram as primeiras do canal a recorrer à nova tecnologia.
A invenção holandesa foi importada pela Globo vai para dois anos. Ricardo Waddington, conta que a aquisição do equipamento “foi uma opção tomada em conjunto com Rogério Gomes”, seu homólogo, e lembra o facto de a Globo, que “permite a cada produção desenvolver a sua própria linguagem, estar sempre em busca de novas tecnologias com vista à qualidade”.
Com o ‘baselight’, as câmaras tradicionais deixam de ser usadas, dando lugar às câmaras digitais. O equipamento permite rejuvenescer os actores em quase dez anos – que o diga a ‘Helena’ (Regina) de ‘Paginas da Vida’– e melhorar todos os aspectos da imagem da novela, com o objectivo, claro, de se obter uma definição que se assemelhe à de um filme digital.
A grande novidade está no tratamento das imagens após as gravações. “O equipamento acrescenta uma nova etapa na produção e trabalha a definição da imagem e a textura”, explica Waddington ao nosso jornal. Na fase de produção, as imagens são tratadas uma a uma, alterando apenas o que se considerar estritamente necessário. A inovação tem várias funções, que são utilizadas de acordo com as ideias do produtor da novela, e assemelha-se aos programas que corrigem defeitos em fotografias, eliminando quase todas as imperfeições.
“Antes, nós, apenas gravávamos, ‘limpávamos’ o som captado e corrigíamos a luz. Agora, podemos incluir outros efeitos”, elucida Waddington, confessando que o telespectador brasileiro “percebeu que a imagem da novela ‘Sinhá Moça’ estava diferente, facto que gerou curiosidade. A aceitação foi boa”, refere.
O uso do milagreiro equipamento, cujo preço não foi revelado pelo realizador brasileiro – “são informações estatégicas da Globo”, diz–, poderá tornar-se numa tendência. Percebe-se porquê. “É sempre bom oferecer qualidade ao telespectador”, conclui.
'BASELIGHT' LONGE DE PORTUGAL
O ‘baselight’ nunca foi utilizado em Portugal. Aliás, muitos agentes que trabalham no audiovisual nem sequer ouviram falar em tal tecnologia. Bem vistas as coisas, estima-se que não nos bata à porta nos tempos mais próximos, mas é bem provável que venha a tornar-se mais uma ferramenta dos profissionais de televisão.
Rui Vilhena, por exemplo, soube, pelo CM, da existência da nova tecnologia. O autor das novelas ‘Ninguém como Tu’ e ‘Tempo de Viver’ admite, porém, que o ‘baselight’ possa tornar-se uma boa aposta no mercado português. Todavia, lembra que, ao eliminar-se as rugas, celulite e manchas, “corre-se o risco de tornar as pessoas mais perfeitas do que, na realidade, são”. Já Jorge Carvalho, realizador da primeira série de ‘Morangos com Açúcar’ e da novela ‘Fala-me de Amor’, também da TVI, conhece o equipamento e acredita que a inovação possa chegar a Portugal. O pioneirismo dos brasileiros na utilização do milagreiro ‘baselight’ em novelas não constitui novidade para ele, porquanto “o Brasil está na linha da frente relativamente” àqueles formatos.
Para o realizador ao serviço da NBP, a tecnologia favorece alguns actores e actrizes. Contudo, “se quisermos ter o efeito inverso, o envelhecer, não há nada como a caracterização”. A vantagem da inovação, segundo Carvalho, está na rapidez, mas, claro, “implicará um tratamento de imagem a imagem”.
"COM PESO E MEDIDA" (Simone de Oliveira)
“O equipamento parece ser bom. No entanto, deve ser usado com peso e medida, e com muito respeito pelos actores. Tem de se reconhecer que existem pessoas mais velhas”, diz Simone de Oliveira, que notou diferenças numa das personagens da novela ‘Sinhá Moça’.
"TENHO UMA BOA PELE..." (Ruy de Carvalho)
“Se o equipamento vier para Portugal, com o fim de melhorar, é bem-vindo”. O actor, de 80 anos, confessa, ao CM, que não se maquilha. E a razão, como explica, é simples: “Tenho uma boa pele...” Todavia, Ruy de Carvalho reconhece que “o equipamento pode ser óptimo para quem precise”.
"QUERO SER COMO SOU" (Lídia Franco)
“Tenho a minha idade e conhecimentos. Portanto, quero ser utilizada como sou.” Mas, claro, “tudo o que vem para melhorar a imagem e iluminação é bom”. Segundo Lídia Franco, a chave para beneficiar a imagem é a iluminação. “A base tem de ser bem feita. Por isso, a iluminação tem de progredir.”
"É MAIS PARA AS ACTRIZES" (Sinde Filipe)
“Tudo o que seja para melhorar parece-me bem e, se fosse produtor, compraria o equipamento”, uma vez que este rentabiliza o tempo dos actores. “E, como se costuma dizer, tempo é dinheiro.” Na visão de Sinde Filipe, o equipamento “facilita mais as actrizes, pois os homens apenas usam pó”.
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