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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Administração do Público diz que "não interferiu em matéria editorial"

David Dinis saiu da direção num gesto de solidariedade para com o seu adjunto.

03 de julho de 2018 às 18:40

A administração do jornal Público defendeu esta terça-feira que "não interferiu em matéria editorial" ao demitir o diretor-adjunto Diogo Queiroz de Andrade, sublinhando que a demissão ocorreu sem a concordância do diretor, David Dinis, "mas não à sua revelia".

A posição da administração surgiu na sequência do despedimento, na segunda-feira, do diretor-adjunto que, por sua vez, levou ao pedido de demissão do diretor, e consta de um comunicado interno enviado por 'email' ao início da tarde de hoje à redação, assinado pela administradora Cristina Soares, ao qual a Lusa teve acesso.

A responsável começou por sublinhar que "a nomeação e demissão de um diretor-adjunto são da competência legal da administração".

"Não são questões editoriais nem cabem nas competências do diretor", afirmou Cristina Soares no comunicado, reforçando assim a posição assumida na sua intervenção do plenário realizado segunda-feira.

"A administração, ao demitir o diretor-adjunto sem a concordância do diretor, mas não à sua revelia, não interferiu em matéria editorial, limitou-se a exercer um seu direito consagrado na lei de imprensa -- o de nomear e de demitir o diretor, o subdiretor e diretores-adjuntos", defendeu a administradora.

Segundo Cristina Soares, a administração demitiu o diretor-adjunto "com o objetivo de proteger o desejável desenvolvimento do jornal e ao fazê-lo não colocou minimamente em causa a tradição de liberdade editorial do Público", que "sempre respeitou e respeitará".

A administração "lamenta" ainda que os jornalistas do Público pretendam aprovar "uma moção que não tem fundamento legal nem factual".

Na manhã de segunda-feira, segundo avança o próprio jornal na edição de hoje, a administração tinha pedido ao conselho de redação para se pronunciar sobre a saída de Diogo Queiroz de Andrade, o que acabou por não acontecer.

Pouco depois, David Dinis convocou um plenário para explicar as razões da sua saída, numa reunião onde também Cristina Soares falou.

O conselho de redação marcou entretanto um novo plenário para quarta-feira, no qual será votada uma moção apresentada por dois jornalistas, avançou o Público.

No seguimento da demissão do diretor, a restante direção editorial -- integrada também por Tiago Luz Pedro e Vítor Costa -- ficou igualmente demissionária, adiantou a publicação.

O Conselho de Administração é presidido por Ângelo Paupério e tem como vogais Cláudia Azevedo e Cristina Soares.

O diário é detido pela Sonaecom.

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