Era um amante dos automóveis e um apaixonado incondicional pelo ‘seu’ Benfica. Adriano Cerqueira faleceu ontem, pelas 13h30, aos 66 anos, vítima de doença prolongada. O corpo do jornalista está em câmara-ardente na Igreja de Santo Condestável, em Campo de Ourique, Lisboa, e o funeral realiza-se hoje, pelas 16 horas, no Cemitério dos Prazeres.
O seu nome é uma referência no jornalismo, estando para sempre ligado à RTP, onde trabalhou durante 35 anos. No entanto, foi na área do desporto automóvel – uma das suas paixões – que Cerqueira mais se destacou, tendo inclusive feito vários programas, não só na TV, mas também na rádio e na Imprensa.
Outra das suas grandes paixões era, sem dúvida, o Benfica. Sócio n.º 48416, o jornalista era, desde 1991, director do jornal oficial do clube da Luz, ‘O Benfica’. Em sinal de luto, a bandeira do Sport Lisboa e Benfica vai estar a meia haste durante três dias.
A notícia da sua morte deixou, quem privou com ele, uma consternação profunda. Para Manuel Rocha, director da RTP Memória, Adriano Cerqueira – que conheceu há 23 anos – “era um grande homem, apaixonado por tudo em que se metia”. “Foi com grande emoção que recebi a notícia da sua morte. Perdi um grande amigo”, referiu, recordando os anos em que trabalhou com ele na RTP, sobretudo, entre 1994 e 1996, quando “eu era director de Informação e ele de Programas”.
Também Luís Andrade, ex-director de Programas da estação pública, se mostrou triste com o seu desaparecimento. “Desde que entrou para a RTP e até mesmo depois de sair defendeu sempre a RTP e o serviço público”, sublinhou o responsável, acrescentando que “Adriano era amigo do seu amigo, principalmente nos maus momentos”.
No início da sua carreira na RTP, Adriano Cerqueira “era pivô dos fins-de-semana”. “Mas quando José Eduardo Moniz [actualmente director-geral da TVI], assumiu a direcção de Programas e Informação do 1.º canal, eu fiquei como seu adjunto, enquanto Adriano assumiu o comando do 2.º canal. Foi aí que se deu uma grande volta na qualidade da programação do 2.º canal”, concluiu Luís Andrade.
Adriano Cerqueira nasceu em Braga, no dia 17 de Outubro de 1938. Aos 18 anos, veio viver para Lisboa, onde estudou Direito. Entrou para a RTP em Julho de 1960 e de lá saiu, por vontade própria, para a reforma, em Fevereiro de 1996. Na estação pública, foi assistente de realização, jornalista, chefe de redacção, programador e director de Informação e de Programação.
Foi, segundo Luís Andrade, da estação pública, o responsável pelo sucesso das séries infantis e das produções inglesas na programação do 2.º canal. A sua voz será para sempre recordada pelos comentários que fazia para o canal das corridas de Fórmula 1.
Estreou-se na rádio na Emissora Nacional. Passou pela Rádio Comercial, onde fez o programa ‘Quatro Tempos’, com Domingos Piedade, Jorge Pêgo e Pedro Castelo. Foi também o responsável, em conjunto com António Nicolau e Domingos Piedade, por um programa da RFM – que terminou em Fevereiro do ano passado – sobre histórias de automóveis.
Com José Eduardo Moniz, actual director-geral da TVI, lançou diversas publicações. Dirigiu ainda ‘O Volante’ e a revista ‘Auto Mundo’, tendo ainda colaborado na ‘Auto Motor’. Actualmente, era o director do jornal ‘O Benfica’.
Na área do automobilismo, Adriano Cerqueira era, desde 2000, um dos responsáveis do Publisalão, que organizava o Salão Internacional do Automóvel.
A MEMÓRIA DOS AMIGOS
"HOMEM DE UMA INTEGRIDADE NOTÁVEL" (José Eduardo Moniz - Director-Geral da TVI)
Colega e amigo de Adriano Cerqueira, José Eduardo Moniz, director-geral da TVI, era também compadre do jornalista, já que era padrinho da sua filha Sofia. Triste, referiu: “É-me extremamente difícil comentar a morte de Adriano Cerqueira. Que se pode dizer da morte do melhor amigo? Adriano Cerqueira era um homem de uma integridade notável, com um apurado sentido de solidariedade e uma enorme capacidade para defender aquilo em que acreditava. Deixa marcas na televisão portuguesa e sobretudo deixa saudades a todos que com ele alguma vez conviveram. Vou ter muitas, mas mesmo muitas saudades dele.”
"O SPORT LISBOA E BENFICA FICA COM UM LUGAR VAZIO" (Rui Cunha - Vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica)
Enquanto benfiquista, Rui Cunha lamentou a morte de Cerqueira. Mas, segundo ele, “lamento a perda de um amigo. Nós tínhamos duas paixões: o automobilismo e o Benfica”, disse, revelando que foram essas paixões que os aproximaram. “Durante anos fui praticamente e dirigente do desporto automóvel. Para além disso, eu e o Adriano tivemos oportunidade de viver o que de bom o Benfica nos tem dado”. Em nome do clube da Luz, o vice-presidente considerou o seu desaparecimento “uma perda irreparável”. “O Sport Lisboa e Benfica fica com um lugar vazio, vai ser difícil substituí-lo”, afirmou Rui Cunha, adiantando que “todas as homenagens serão poucas para enaltecer a sua memória”.
"TEMOS MILHÕES DE HISTÓRIAS PARA CONTAR" (José Pinto - Jornalista)
Ainda combalido com a notícia, José Pinto realçou o carácter profissional e pessoal de Adriano Cerqueira. “Foi uma das pessoas que mais marcou a minha carreira como jornalista”, afirmou, adiantando que foi pela mão dele que entrou para os quadros da RTP. “Trabalhámos em conjunto mais de duas décadas, fizemos anos a fio a Fórmula 1. Temos milhões de histórias para contar”, disse, recordando a morte de Ayrton Senna. “Estávamos a comentar a corrida para a RTP, quando se deu o acidente. O Adriano entrou em colapso e, embargado pelas lágrimas, pediu-me para assumir a emissão. Imagine o que foi relatar a morte de Senna e ter o Adriano, ao meu lado, a chorar...”
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