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Com um cenário urbano, a nova novela da TVI vai apostar em triângulos amorosos e em situações caricatas para vingar. A Correio TV esteve nos bastidores da produção.
O largo junto ao Mosteiro São Dinis, em Odivelas, às portas de Lisboa, tem sido por estes dias um dos principais cenários da próxima telenovela da TVI, ‘Lua de Papel’. Aí concentram-se as histórias do núcleo ‘pobre’ da trama, em oposição ao ambiente mais urbano, de Cascais e da capital, em que se inserem as voltas e reviravoltas do núcleo ‘rico’.
A Correio TV esteve nos bastidores da nova produção da Plural, que está em filmagens desde o início de Julho, falou com alguns dos protagonistas e testemunhou o ambiente descontraído em que, apesar das temperaturas a rondar os 35º C, se prepara a próxima grande aposta de ficção da TVI. A estreia está prevista para a rentrée televisiva "em Setembro e em horário nobre", garante fonte da estação.
"É uma novela ligeira, com muito sentido de humor, personagens bem-dispostas, quase ‘comédia de portas’. Além disso, é uma novela muito urbana. Há um núcleo mais pobre que vive em Odivelas, mas o resto das personagens vive e trabalha em Lisboa, em grandes escritórios e empresas financeiras", explica à Correio TV João Pedreiro, responsável pela direcção de actores de ‘Lua de Papel’.
O argumento está a cargo de Maria João Mira, cuja última novela foi ‘Anjo Meu’ (2011) e que, para esta história contemporânea, se inspirou no filme norte-americano ‘Enquanto Dormias’, que conta com Sandra Bullock no papel de uma mulher secretamente apaixonada por um estranho. Quando este sofre um acidente e entra em coma, ela faz-se passar por sua noiva.
Neste caso, o papel que pertenceu à actriz norte-americana é entregue a Sara Matos. Ela dá corpo a Olívia, uma rapariga simples, que luta para sobreviver na selva urbana. Está secretamente apaixonada por Miguel (Afonso Pimentel), um rapaz rico que colecciona um historial de aventuras amorosas. É o seu príncipe encantado.
Os destinos dos dois acabam por encontrar--se, para revelar que Miguel está longe de corresponder às fantasias de uma sonhadora. Ele acaba por sofrer um acidente que o atira para uma cama de hospital. Com receio de ser expulsa da clínica pelos pais do rapaz, Olívia finge ser sua noiva. É no hospital que, no caminho de Olívia, se cruza David (João Catarré), um enfermeiro que, sem ela saber, odeia Miguel. Aos poucos, os dois vão percebendo que têm muitas coisas em comum e que já não vivem um sem o outro. Entretanto, Miguel acorda do coma e tudo se complica.
"É uma rapariga que não tem pais, vive sozinha desde os 16 anos e, por isso, é muito independente e genuína. Fala sempre o que lhe apetece e é um bocadinho ingénua, mas muito engraçada." É assim que Sara Matos descreve Olívia, uma personagem que lhe está a dar "imenso gozo" interpretar.
"Adoro esta personagem, porque é completamente diferente do que tenho feito. Tem imensos jeitos e trejeitos, tem ritmos muito diferentes – tanto pode falar de uma maneira muito apressada, como pode ser a pessoa mais pacífica do Mundo", afirma a actriz, na curta pausa que lhe é concedida durante as gravações. Sara Matos recusa, no entanto, o rótulo de protagonista. "Somos todos protagonistas, porque, como é um elenco mais pequeno, todos gravamos imenso e a história roda muito à volta de cada personagem", diz.
Em ‘Lua de Papel’, Olívia vai enfrentar a oposição de Bianca, personagem interpretada por Vera Kolodzig. A actriz, que regressa à televisão de onde estava afastada desde ‘Espírito Indomável’ (2010), acredita que "a intensidade da frieza de Bianca" torna a personagem "a pior vilã" que já fez. "A Bianca é uma mazona", brinca. "É uma vilã fria. Tem uma raiva profunda, que vem do facto de ter perdido a mãe quando era pequena. E acusa o padrasto, Mário [Paulo Pires], de ter assassinado a mãe para ficar com a herança.
Ao mesmo tempo tem uma grande paixão pelo Miguel [Afonso Pimentel] e é capaz de tudo para conseguir ficar com ele", conta a actriz. Vera Kolodzig diz à Correio TV acreditar que "há pessoas assim", mas confidencia que lhe custa crer que "o ser humano possa ser tão mau".
Mas uma das personagens que, à partida, mais sucesso promete fazer é Carlos, um enfermeiro desempregado, vivido por André Nunes. "O Carlos gosta muito da mulher [interpretada por Patrícia Tavares], mas não tem trabalho e tem de se fazer à vida". Para isso, o personagem vai ter de "encontrar soluções alternativas". O actor não quis revelar que soluções são essas. Diz apenas: "O Carlos passa por um rol de tentativas, algumas situações muito estranhas. Mas há uma que se vai manter por mais tempo."
Ao que a Correio TV apurou, uma das soluções encontradas pelo personagem e aquela que se vai manter por mais tempo é vestir-se de travesti. "É um papel tragicómico. Mas é verdade que há um lado completamente caricato que vai aparecer", acrescenta o actor, que regressa à TVI depois de ter passado os últimos dois anos em produções da SIC.
Entre a equipa técnica e de actores, os elogios à história e à escrita de Maria João Mira são unânimes. "A história está muito bem construída, as personagens estão muito bem caracterizadas, a história vai avançando e nós nunca temos surpresas desagradáveis", avança Manuela Couto, que vai interpretar Preciosa, uma mulher "ingénua", mas sem ‘papas na língua’. A actriz, que pela primeira vez vai fazer de avó, acredita que as personagens de ‘Lua de Papel’ estão "muito próximas da realidade e nunca perdem os seus objectivos".
E não tem dúvidas em caracterizar este projecto: "É uma comédia romântica." De facto, a componente de humor é uma das mais vincadas pelo elenco: "Neste momento, as pessoas precisam de boa disposição, de rir, e esta novela tem todos os elementos para que isso aconteça", diz João Pedreiro. O director de actores afirma, no entanto, que o registo de comédia inteligente torna difícil "encontrar o tom da novela".
Gabriela Barros, que se estreia numa novela depois de ter feito parte do elenco da série juvenil ‘Morangos com Açúcar’, considera que ‘Lua de Papel’ é "boa para passar o serão". "É uma novela muito bem-disposta, leve e colorida", diz, para justificar a sua opinião.
Já Lourenço Ortigão, que vive o "despassarado e mulherengo" Alberto, mais conhecido por Beto, aponta outros trunfos: "Não há guerra de famílias e a questão dos bons e dos maus também é relativa." Mas o mais positivo para o actor é que, "nesta novela, todas as personagens se cruzam".
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