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Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Emoção e revolta pela morte de Carlos Pinto Coelho

A morte de Carlos Pinto Coelho, que hoje será cremado, às 17h30, no Cemitério dos Olivais, foi recebida com choque e emoção por amigos e admiradores, mas também levantou alguma revolta com fantasmas do passado, nomeadamente o final do magazine ‘Acontece’, transmitido na RTP 2 entre 1994 e 2003.

17 de dezembro de 2010 às 00:30

"Estou em estado de choque. Era um amigo extraordinário, como um familiar próximo", revela a escritora Lídia Jorge, que recorda que o fim de ‘Acontece’ causou um "desgosto sem medida" a Carlos Pinto Coelho. "A morte como jornalista e pessoa da cultura aconteceu nesse momento, foi o desmantelar do seu edifício", sublinha.

Nuno Morais Sarmento, o ministro que esteve na origem do fim de ‘Acontece’ (disse que saía mais barato pagar uma viagem à volta do Mundo a cada telespectador do programa do que o manter), reconhece que Pinto Coelho foi um "jornalista importante na área da cultura" e ‘Acontece’ "um programa inovador e de referência". Apesar disso, diz que hoje "tomaria a mesma posição". "Tanto se justificou manter durante muito tempo o programa, como se justificou acabar".

David Borges recorda o "grande profissional, extremamente culto", de quem se aproximou nos últimos anos com o projecto Telecinco. E, na hora da despedida, mostra um tom crítico para com a RTP. "Não foi muito bem tratado por uma empresa que enriqueceu. Irrita-me que estas coisas se esqueçam quando um homem morre. Não podemos ser hipócritas".

Para Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas, partiu um "jornalista de corpo inteiro" com uma "paixão contagiante" pela profissão. "Não lhe foi feita justiça em vida, que acabou abrupta e injustamente com um julgamento político", afirma, recordando, uma vez mais, o caso ‘Acontece’.

Herman José, que criou uma personagem inspirada em Carlos Pinto Coelho n’ ‘O Tal Canal’, diz que "ficava pregado ao ecrã a ver o ‘Telejornal". "Ele representava as notícias", conta o humorista que viu o seu programa ‘Humor de Perdição’ suspenso, em 1988, pela direcção da RTP, da qual fazia parte Carlos Pinto Coelho. Este episódio, recorda, criou "uma amizade que não existia".

REACÇÕES

Luís Marques, director-geral da SIC

“Foi meu director na revista ‘Mais’ no final dos anos 70. Foi uma experiência muito marcante para mim. Eu era um jovem jornalista. Lembro o entusiasmo e a forma como se entregava completamente às coisas que fazia”.

Rui Unas, actor e apresentador

“Foi meu professor na ETIC, em 1995. Convidou-me para fazer parte da equipa do ‘Acontece’. Foi meu chefe. Lembro o rigor, a disciplina, a vivacidade e a paixão pelo jornalismo. Era muito exigente, mas tinha uma alegria contagiante”.

Nuno Morais Sarmento, advogado e ex-ministro

“Foi um jornalista importante, que deu um contributo na área da cultura durante muito tempo com um programa inovador, mas essa era apenas uma intervenção cultural, tinha outras, lembro também a faceta fotografo. A única foto de autor que tenho no meu escritório é do Carlos Pinto Coelho. [Sobre o fim do ‘Acontece’] Tomaria, com certeza, a mesma posição. Tanto se justificou manter durante muito tempo, como se justificou acabar”.

David Borges, jornalista

“Era um grande profissional, extremamente culto. Foi uma pessoa que não foi bem tratada por uma empresa que enriqueceu [RTP]. Irrita-me que estas coisas se esqueçam quando um homem morre. Deve recordar-se que Carlos Pinto Coelho não foi bem tratado nesse momento [fim do ‘Acontece’]. Não podemos ser hipócritas”.

Lídia Jorge, escritora

“Estou em estado de choque. O Carlos Pinto Coelho foi um amigo extraordinário, uma espécie de familiar. A cultura perde um dos seus grandes divulgadores, sobretudo no campo do livro. O afastamento da RTP significou o fechar de uma página que nunca mais se recompôs. No futuro será recordado como um jornalista à antiga. Depois do fim do ‘Acontece’ o Carlos não se recompôs. Continuou com muita dignidade e fez um trabalho enorme na rádio. A última vez que falámos desse corte, disse que lhe custou muito, e que sentia que tinha passado injustamente para a RTP Memória. Ele sentia isso. Sentiu um desgosto sem medida. Mesmo no site da RTP Memória dizia que o tinham rasurado, dizia que o ‘Acontece’ tinha desaparecido do site. Foi o momento mais triste da carreira do Carlos. Nas nossas conversas sempre lhe disse que não era pessoal, que calhou ser ele, que ele assistiu ao desmantelar de um sistema e à implementação de um outro, mas a morte do Carlos Pinto Coelho como jornalista e pessoa da cultura aconteceu nesse momento. Foi o desmoronar do seu edifício”.

Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas

“Era um jornalista de corpo inteiro, com uma grande paixão pela profissão. Não lhe foi feita justiça em vida. Falo do fim do ‘Acontece’, que acabou abrupta e injustamente por um julgamento político”.

Adelino Gomes, jornalista

“Fez a diferença profissional em dois campos. O primeiro como divulgador cultural de excelência em Portugal. Em segundo, fazia-o com características únicas. Com uma grande empatia pessoal e com uma noção do ritmo exigido pela linguagem televisiva e radiofónica que era muito raro nos anos 80. O modo de estar perante as câmaras era de tal forma marcante, que mesmo passado tantos anos a sua imagem permanece na memória de milhares de espectadores”.

Herman José, apresentador

“Era fã do Carlos Pinto Coelho. F

icava pregado ao ecrã a ver o ‘Telejornal'. Ele representava as notícias”, conta o humorista que viu o seu programa ‘Humor de Perdição’ suspenso, em 1988,  pela direcção da RTP, da qual fazia parte Carlos Pinto Coelho.  Este episódio, recorda, criou “uma amizade que não existia”. “Éramos duas peças menores num jogo maior”.

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