David Borges acredita que este pode ser o fim da estação. Fernando Correia diz que a TSF de hoje “nem sequer é uma cópia em mau estado daquilo que era”.
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A situação que a TSF atravessa é vista com grande "apreensão" por parte de algumas das suas figuras históricas. David Borges, fundador e diretor da estação entre 1992 e 1995, diz que a crise que se vive agora no grupo leva-o a recordar o drama vivido com os despedimentos no início dos anos 90.
"Foi um processo que fiz questão de liderar e que me marcou para o resto da vida. A diferença é que, na altura, a TSF era uma estrutura recente e frágil, e não a instituição solidificada que é hoje. Por isso, faz-me impressão como é que um grupo [Global Media] entra num processo desta natureza", começa por dizer o jornalista, lamentando o clima de "desconfiança" que esta reestruturação está a criar nos trabalhadores.
"É difícil recuperar de uma situação como esta, em que as pessoas ficam à mercê das vontades dos donos da empresa, que só pensam em lucro, vivendo uma situação de precariedade mesmo que sejam efetivos", continua David Borges, que lamenta que uma marca como a TSF não seja preservada. "Temo que este seja o início do fim da TSF, que é um nome que ainda pesa muito e que é uma nota de credibilidade imediata."
Já Fernando Correia, voz mítica dos relatos de futebol e que trabalhou na TSF desde a sua fundação, afirma que a estação que hoje existe "nem sequer é uma cópia em mau estado daquilo que era". "Os grandes grupos económicos podem ser úteis para a manutenção do produto, mas têm sempre um lado mau", diz o jornalista, que recorda a rádio "livre e liberta de preconceitos, que ia ao fim da rua e ao fim do Mundo".
"Custa-me admitir que este seja o fim da TSF, mas não me custa admitir que seja o fim daquilo que a TSF representou", afirma, referindo-se à inovação e ao rigor da estação onde começou a trabalhar em 1990 e onde ainda tem alguns amigos. "Se fosse necessário e fundamental gostava de dar a minha ajuda para recuperar a TSF. Infelizmente, as coisas não são assim tão simples…"
Também Carlos Andrade, outra figura histórica da rádio da Global Media, foi contactado pelo CM. O antigo diretor da estação disse que está a acompanhar a situação da empresa, onde ainda tem muitos amigos e colegas, mas não quis fazer mais comentários.
Na passada sexta-feira, reunidos em plenário, os trabalhadores da TSF decidiram, "com o apoio do Sindicato dos Jornalistas e do Sindicato dos Trabalhadores das Telecomunicações e Comunicação Audiovisual", exigir ao presidente do Global Media Group, Daniel Proença de Carvalho, e aos acionistas Kevin Ho, José Pedro Soeiro e Rolando Oliveira um esclarecimento, por escrito e no prazo de dez dias, a várias questões que querem ver clarificadas.
Desde logo, os trabalhadores da rádio querem "um esclarecimento claro e cabal de quem tem poder de decisão dentro da empresa sobre a reestruturação anunciada, incluindo rescisões por mútuo acordo e um eventual despedimento coletivo, número de trabalhadores a dispensar, critérios para esses despedimentos e datas para que esta reestruturação avance".
Exigem também a divulgação imediata das contas de 2018, "com as devidas explicações sobre as opções de gestão que levaram ao atual estado do Global Media Group, nomeadamente investimentos feitos em áreas que não tiveram o retorno esperado, prejudicando todo o grupo". Caso estas questões não sejam respondias, os trabalhadores ameaçam usar "todas as formas de luta ao seu dispor, incluindo o recurso à greve".
Questionada pelo CM sobre a difícil situação do grupo, a administração liderada por Proença de Carvalho recusou comentar.
Bloco questiona offshore e vendas imobiliárias
Numa carta enviada ao presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o deputado Jorge Costa questiona ainda a criação, em 2018, por parte dos acionistas, de "duas empresas com sede nos offshore de Malta e Curaçao [Caraíbas]" e a venda, ou transformação, dos "ativos imobiliários do grupo".
Centenas saem com reestruturações
PORMENORES
Acionistas
Em outubro, BCP e Novo Banco venderam as participações (10,5% cada) que detinham na Global Media. O grupo tem agora três acionistas: a KNJ (de Kevin Ho), com 40,5%, José Pedro Soeiro (40,25%), e Olivemedia de Joaquim Oliveira (19,25%).
Imóveis
Com a entrada da KNJ como principal acionista, foi vendido o edifício do ‘DN’, em Lisboa, e alienado a uma empresa detida pelos gestores do grupo KNJ - a sede do ‘JN’, no Porto. O primeiro terá apartamentos de luxo e o segundo será um hotel.
Rádio ‘pirata’
A primeira emissão da TSF (Telefonia Sem Fios), a 17 de junho de 1984, quando ainda era uma rádio ‘pirata’, foi decisiva para a criação da Lei da Rádio. A TSF viria a começar as suas emissões regulares a 29 de fevereiro de 1989.
Sócios fundadores
A estação, a princípio designada TSF-Rádio Jornal, teve como sócios fundadores a Cooperativa TSF, um grupo de ‘O Jornal’ e a FNAC - Fábrica Nacional de Ar Condicionado.
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