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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Li tudo sobre prostituição

Na Bica, entre escadarias e calçadas íngremes que o ‘funicular’ amarelo sobe ronceiro, Inês Castel-Branco retoca a maquilhagem e prepara-se para recriar a vida ingrata de Mariette em mais um dia de gravações de ‘Vila Faia’. “Vivo emoções que não me são familiares e é muito cansativo. Consome muita energia. De facto, é difícil interpretar a Mariette!”, confidencia a jovem actriz à Correio TV, no coração do bairro que a sua personagem frequenta e onde encontra sempre ombro amigo.

18 de janeiro de 2008 às 00:00

Neste remake da primeira novela portuguesa, Inês Castel-Branco sucede a Margarida Carpinteiro. O fardo é pesado. E a actriz tem consciência da responsabilidade porque há quem lhe diga que, em 1982, “o País parou para ver a morte de Mariette” da ‘Vila Faia’.

Depois de Júlia, em ‘Doce Fugitiva’, interpretar o papel de prostituta no remake de ‘Vila Faia’, que estreia em breve na RTP 1, é um desafio que exige preparação. A jovem actriz, que completa 26 anos em Fevereiro, desvenda alguns dos passos do trabalho de composição da sua Mariette: “Tive algum tempo para me preparar e adorei todo o processo. Comecei com as simples pesquisas na internet sobre aspectos mais práticos como a legislação e evolução da ‘mais antiga profissão do Mundo’.”

Empenhada em ir mais longe no trabalho preparatório da sua personagem, Inês Castel-Branco passou para os livros e inteirou-se de tudo o que podia. “Li vários testemunhos, tudo o que tinha sido escrito na primeira pessoa. Foi importante para mim familiarizar-me com todos os termos e rituais que esta actividade implica.

Depois li um estudo feito pela socióloga Alexandra Oliveira, um dos poucos que existem sobre prostituição, ‘alterne’ e strip-tease. Creio ter ficado a conhecer o perfil destas mulheres, os padrões nas suas vidas, nos seus passados.” Consciente de que os desafios servem sempre “para crescer” como “actriz e pessoa”, a actriz entendeu que para interpretar a Mariette, “uma mulher com uma vida difícil, que passa por situações inacreditáveis”, exigia mais um esforço.

PRODUÇÃO APOIA

Assim, com o apoio da produção de ‘Vila Faia’, marcou entrevistas com algumas prostitutas. “Os encontros concretizados foram de grande ajuda. Fui recebida de braços abertos e pude perguntar tudo o que quis. Tenho de agradecer a todas elas a generosidade com que abriram as suas vidas a uma estranha sem receberem nada em troca”, diz a jovem actriz.

O trabalho de Inês Castel-Branco terminou com uma visita ao Ninho, uma “instituição de Solidariedade Social que denuncia práticas de lenocínio e tenta todos os dias devolver a auto-estima a estas mulheres, tirando-as da ‘vida’, apostando na formação, devolvendo-lhes a oportunidade de terem uma vida normal”, explica.

'VILA FAIA'

“Tirando a última cena de ‘Vila Faia’, que está no Youtube”, Inês Castel-Branco “não viu nada” da versão original desta novela, que marcou a televisão portuguesa. “Achei que me podia influenciar de alguma forma... Mas quero ver logo que me sinta mais segura em relação ao trabalho que estou a fazer”, diz. Entre o desafio e o risco de recriar no pequeno ecrã a estória de amor de Mariette e do camionista Godunha (Albano Jerónimo), que apaixonou os portugueses em 1982, Inês Castel-Branco conta como tem sido difícil conviver com o turbilhão de emoções de uma mulher que “não é feliz”, que já “desistiu de o ser”, mas que tem no filho “a razão de sobreviver”.

Mesmo depois da experiência em ‘Morangos com Açúcar’, ‘Os Batanetes’, ‘Queridas Feras’, ‘Coração Malandro’, ‘Tudo por Amor’ e ‘Filha do Mar’, entre outros trabalhos, Inês Castel-Branco diz que “o maior desafio são as cenas de amanhã”, e depois “as do dia seguinte”. Sublinha que o desafio “é constante”. E a Mariette fá-la trabalhar “o lado maternal”, os seus “maneirismos”, “linguagem”, “tristeza”, e a “falta de confiança nas pessoas”. “Ponho tudo em perspectiva, tento ver o Mundo pelos olhos de Mariette. Passo o dia nisto”, conta à Correio TV.

LUTA DIÁRIA

Nesta luta diária de compor a tecitura dramática da sua Mariette, Inês Castel-Branco confessa que esbarra com “dificuldades”, mas explica que as ultrapassa porque está “bem acompanhada e protegida”. “Todos os dias preciso de ser ajudada, direccionada”, diz, referindo-se à preciosa ajuda da direcção de actores, liderada por António Cordeiro e Inês Rosado. Rejeitando protagonismos, comenta: “Não gosto de achar que o destaque deste papel é uma viragem na minha carreira. A grande maioria dos meus actores favoritos nunca foram protagonistas.”

EM 1982

Em 1982, Nicolau Breyner e Margarida Carpinteiro, o João Godunha e a Mariette, formaram o par romântico que arrebatou o coração do público português. À semelhança da estória original, o novo Godunha volta a ser um camionista com bom coração, impulsivo e que não consegue lidar com a paixão pela jovem prostituta Mariette. Esta nova versão tem a chancela da SP Televisão.

TROCOU MODA PELA TELEVISÃO: LANÇADA PELA MÃE

Foi no mundo da moda que Inês Castel-Branco se mostrou ao Mundo. Pela mão da mãe, a apresentadora Luísa Castel-Branco, inscreveu-se na Elite Portugal longe de imaginar que à carreira bem sucedida de manequim se sucederia a de actriz. Estreou-se na TVI com ‘ Filha do Mar’, em 2001, e, entre novelas e séries, nunca mais parou de representar. Em ‘Doce Fugitiva’, o seu último trabalho, interpretou o papel de Júlia.

"ESTOU EXPECTANTE" (Margarida Carpinteiro, actriz com 64 anos)

- Que conselho daria mesmo a Inês Castel-Branco?

- Não dou conselhos! Acho que ela é linda e suficientemente actriz para pegar no papel e dar-lhe a volta necessária. Desejo-lhe apenas ‘muita merda’.

- Que espera deste remake da RTP?

- Estou expectante, como estaria com qualquer outra novela. E, sinceramente, espero que tenham o mesmo êxito que nós tivemos, porque quanto maior for o êxito, maior e mais cuidado será o trabalho de outras produtoras. O mal em Portugal é não haver desafios de qualidade. Espero que este remake seja um desafio de qualidade, porque quanto mais, melhor.

- Que recordações guarda da ‘Vila Faia’ de 1982?

- Foi um trabalho com o qual aprendi muita coisa, e isso nunca se esquece. E que aceitei com algum medo. Na altura não se falava abertamente de prostituição, até era tabu... Mas fui apoiada pela família e amigos e bem acompanhada por Nicolau Breyner, Nuno Teixeira e Francisco Nicholson. Estes três homens foram muito importantes para eu me sentir confiante e aceitar o papel.

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