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Correio da Manhã

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MORREU FERNANDO BALSINHA

Uma das grandes bandeiras da RTP, o jornalista Fernando Balsinha, morreu na madruga de ontem, com 55 anos de idade, vítima de cancro.
8 de Março de 2003 às 14:19
Fernando Balsinha
Fernando Balsinha FOTO: Arquivo CM
O corpo de Fernando Balsinha esteve ontem em câmara-ardente, na Basílica da Estrela, em Lisboa, de onde sai hoje, depois da missa de corpo presente, às 15h00, para o cemitério dos Olivais onde, por vontade expressa à família, será cremado.
Actual chefe das relações internacionais da RTP, Balsinha entrou para os quadros do canal público em 1973, tendo sido, em 25 de Abril de 1974, o jornalista que anunciou o primeiro comunicado do Movimento das Forças Armadas, que depôs o regime político liderado por Marcelo Caetano.

Segundo confidenciou ao CM Luís Andrade, director de programas do canal público, “a RTP perde assim um dos maiores símbolos da informação do canal, um homem extremamente educado, fidelizado e um grande senhor da televisão portuguesa”. E adiantou ainda que o jornalista era “além de grande profissional, um grande colega e amigo do seu amigo como se irá verificar pelas muitas presenças que irão prestar-lhe homenagem hoje durante o funeral”.

“O Fernando foi administrador da RTP, director do Telejornal e, neste momento, era director das relações internacionais porque conhecia como ninguém os cantos todos à casa”, disse. Luís Andrade revelou também estar a viver um desgosto por ter perdido “um grande e fiel amigo que, apesar de bastante reservado, era um dos históricos do canal público”.

Fernando Balsinha, que não tinha filhos, era casado com Maria Moura há mais de dezassete anos.

A sua colega de trabalho mais próxima ultimamente era Maria Eugénia Baptista, que fez questão de sublinhar as qualidades do companheiro de trabalho: “Era um colega excepcional, isento, eficiente, justo, correcto, sério, afável, humano de quem todos gostavam muito”.

“O Fernando trabalhou até ao fim. Estive com ele no hospital, no dia 7, já estava muito mal, mas até ao meio da segunda semana deste mês, esteve sempre a trabalhar”, disse. “Ele era dono de uma força anímica fenomenal e ignorava a doença o mais possível dedicando-se às suas responsabilidades”. A maior dificuldade nos últimos dias “era a desmemorização e alguma dificuldade em articular as palavras mas esteve lúcido até ao fim”.

Fernando Balsinha frequentou a Faculdade de Medicina de Lisboa, que abandonou pouco antes de se licenciar tendo seguido então a carreira de jornalista na televisão. Licenciou-se mais tarde em Relações Internacionais na Universidade Independente.

Depois do 25 de Abril, foi o primeiro director da RTP-Açores e, posteriormente, ocupou o cargo de director de Informação da então única estação televisiva existente em Portugal. Foi delegado da RTP em Bruxelas, a primeira delegação do canal que abriu fora do País. Exerceu o cargo de director de Programas da RDP e foi porta-voz do Conselho de Ministros Europeu quando Portugal ocupou pela primeira vez a presidência, em 1992. Durante seis anos foi assessor de imprensa do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, do Governo de Cavaco Silva, João de Deus Pinheiro. Em 1995 pertenceu à administração da RTP e, por último, foi director das relações internacionais do canal estatal, cargo exercido até à sua morte.

J. DEUS PINHEIRO: HOMEM BOM

“Um exemplo de homem bom, grande amigo e pioneiro: até hoje foi a única pessoa que conseguiu, sem curso superior, chegar a director da Comissão Europeia dando prova de profissionalismo”.

MÁRIO MESQUITA: RIGOROSO

“Foi um profissional competente, isento, rigoroso e humano que o jornalismo perdeu. A RTP perde um dos seus maiores profissionais. Deve ficar na memória de todos como exemplo de coragem”.

A. ESTEVES MARTINS: DIGNIDADE

“Durante quatro anos tratou a doença por tu e foi de uma dignidade extraordinária. O Fernando é o responsável por eu existir como jornalista. Foi das pessoasmais importantes da minha vida e mostrou-me que a RTP era a nossa casa”.

MONTEIRO COELHO: EM SILÊNCIO

“Fernando Balsinha soube suportar a doença que o atingiu nos últimos anos em silêncio, co dignidade e coragem. Estas qualidades reflectem, de certa maneira, a sua forma de estar na vida como homem e jornalista”, disse o relações públicas da TVI.
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