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Presidente do sindicato diz que jornalistas "são escrutinados todos os dias"

Luís Filipe Simões desafiou a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, a dizer que "violação grave à ética" fez o jornalista da Lusa João Gaspar.

13 de abril de 2026 às 16:17

O presidente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) sublinhou esta segunda-feira que os jornalistas são escrutinados todos os dias e desafiou a presidente da Câmara de Coimbra a dizer que "violação grave à ética" fez o jornalista da Lusa João Gaspar.

"Ela [Ana Abrunhosa] questionou se os jornalistas não podem ser escrutinados. São escrutinados todos os dias, como verificamos em vários processos, ultimamente. Não podem é ser punidos ou atacados por escrutinarem quem têm de escrutinar", disse Luís Filipe Simões à saída da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

"Quando nós escrutinamos o poder político, estamos a prestar um serviço à sociedade, é isso que nos exigem e é para isso que nós servimos", acrescentou o presidente do SJ, depois de entregar uma queixa na ERC sobre os novos estatutos da Lusa.

Segundo o responsável sindical, sem esse escrutínio, o jornalismo seria publicidade.

Em causa está um incidente ocorrido na última reunião camarária, na sequência da publicação de uma notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual o jornalista da Lusa dava conta de que o espaço está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, referindo que questionou o executivo municipal, mas não obteve resposta.

O presidente do sindicato acrescentou que jornalistas "não precisam da confiança" de detentores de cargos públicos.

"Quando um detentor de um cargo público diz que retira a confiança a um jornalista, é não perceber bem o que é o jornalismo. Os jornalistas não precisam da confiança de um presidente de câmara, de um primeiro-ministro ou de um Presidente da República. Precisam de fazer o seu trabalho", afirmou.

O presidente do sindicato defendeu João Gaspar e disse que os seus pares "veem nele um jornalista de referência que cumpre todas as obrigações que tem".

"Seria interessante que a presidente da Câmara de Coimbra dissesse que violação grave à ética fez o João", atirou.

Luís Filipe Simões criticou ainda o tom de Ana Abrunhosa, por considerar que tem "um tique que já não deveria existir".

"Remete-nos para o que acontecia em ditadura, há mais de 50 anos, e isso é preocupante", lamentou.

Na sexta-feira, na sequência deste episódio, a Direção de Informação (DI) da agência Lusa escreveu uma carta à presidente da Câmara de Coimbra "repudiando acusações" que a autarca dirigiu ao jornalista João Gaspar, durante uma reunião pública do executivo camarário.

Numa nota depois emitida, a DI da Lusa considera que as acusações feitas pela presidente da Câmara de Coimbra foram "descabidas, infundadas e difamatórias".

A DI reiterou a sua confiança no jornalista João Gaspar, "cujo percurso de jornalismo na Lusa é irrepreensível".

Na mesma nota, a direção acentua que João Gaspar se limitou a fazer uma notícia a propósito da Casa do Cinema de Coimbra, dando conta das preocupações do coordenador do espaço.

"Mais, procurou fazer o contraditório, pedindo esclarecimentos à Câmara. Só ao fim de nove dias publicou a noticia e mesmo assim só após ter instado pessoalmente a responsável pela comunicação daquele órgão", acrescenta-se na mesma nota.

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