Delegada sindical Susana Venceslau disse que este é "mais um passo na luta (...) contra este processo de reestruturação".
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) entregou, esta segunda-feira, à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) uma queixa sobre os novos estatutos da Lusa, que diz colocar em causa a liberdade de imprensa.
Na participação, a que a Lusa teve acesso, o sindicato alerta que os novos estatutos, com a alteração do modelo de governação agravam "os riscos de interferência externa na agência", em particular pela influência política e de controlo sobre a linha editorial.
A queixa foi entregue esta segunda-feira na sede do regulador por uma delegação sindical, num momento que contou também com a presença de um representante do Conselho de Redação e da Comissão de Trabalhadores da agência noticiosa.
À saída da ERC, em Lisboa, a delegada sindical Susana Venceslau disse que este é "mais um passo na luta (...) contra este processo de reestruturação".
"Entendemos que o regulador se deve pronunciar e a queixa é exatamente para obrigar o regulador a fazer essa avaliação formal deste processo, ouvir as partes, se for o caso, mas fazer essa avaliação e pronunciar-se", disse aos jornalistas.
A delegada sindical considerou que "há um risco grave de ingerência política na agência" devido à revisão dos estatutos.
Em causa, elencou, estão nomeações diretas de administradores pelo Governo, a criação de um conselho consultivo com elementos "sobretudo nomeados por poder político" ou a "audição obrigatória da direção de informação no parlamento".
Também uma possível mudança da sede da Lusa para a RTP é algo que preocupa os delegados sindicais da agência de notícias, por considerarem que, sendo a estação sua cliente, "pode estar em causa o regulamento europeu sobre a liberdade de imprensa".
Os delegados sindicais anunciaram ainda que houve uma proposta do ministro com a tutela (Presidência, António Leitão Amaro) para uma reunião na próxima semana, que deverá acontecer no dia 21 de abril.
"Esperamos que seja de facto uma reunião de trabalho sobre estas matérias, porque o nosso objetivo é que efetivamente este processo ande para trás, ou seja, que ainda seja possível rever os estatutos", acrescentou Susana Venceslau.
Também o membro da Comissão de Trabalhadores e do Conselho de Redação Pedro Sousa Pereira defendeu a reversão dos estatutos, "para que a Lusa, que é há seis meses, apenas, 100% detida pelo Estado, seja uma agência de notícias que continua a ser independente e autónoma".
"Sem qualquer tipo de opacidade e sem interferência política do Estado, do Governo ou do parlamento. E sobre isso nós não abdicamos. Não somos obedientes nem a partidos, nem a governos, nem a clubes de futebol, nem a autarquias", insistiu.
Pedro Sousa Pereira afastou "uma posição de antagonismo" para com a tutela, mas falou numa "possibilidade de sensibilização do ministro para que recue nos estatutos em nome do serviço público".
Na queixa apresentada, o Sindicato dos Jornalistas regista que os novos estatutos alargam para três o número de elementos no Conselho de Administração da Lusa e que todos são designadamente pelo Governo, em representação do acionista único, o Estado.
Esta designação, "tal como está consagrado nos estatutos, não salvaguarda que tal nomeação ocorra segundo critérios transparentes e com base num amplo escrutínio público, prevendo apenas a eleição pelo acionista após parecer do Conselho Consultivo", explica a exposição feita ao regulador.
Nesse sentido, apontam que o modelo de designação contraria os regulamentos europeus.
As críticas do sindicato também abordam a criação de um conselho consultivo, que poderá pronunciar-se sobre o cumprimento do contrato de prestação de serviço noticioso e informativo de interesse público da agência, emitir pareceres prévios não-vinculativos.
Este organismo é composto por 13 membros, sendo seis indicados por responsáveis políticos e quatro por associações empresariais.
"Apenas dois são indicados por órgãos representativos dos trabalhadores da Lusa", diz o sindicato, apontando que estes são decididos pelo conselho de redação e pela comissão de trabalhadores.
Também a chamada da direção de informação ao parlamento é criticada no texto, com o sindicato a apontar que coloca em causa direitos fundamentais dos jornalistas, como o direito à garantia de independência, à liberdade de expressão e de criação, ou o de liberdade de acesso às fontes de informação.
Os sindicatos também registam que as sinergias entre as duas empresas podem criar distorções no mercado e atribuir um benefício injustificado a um cliente.
A entrega da queixa na ERC, que contou com o presidente do SJ, Luís Filipe Simões, surge uma semana depois de o sindicato ter entregado uma queixa ao Provedor de Justiça contra o Governo por considerar que os novos estatutos da Lusa "colocam em causa princípios constitucionais de liberdade de informação".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.