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Pais do autor do ataque a aula de dança em Southport poderiam ter evitado a tragédia, conclui inquérito

Três meninas, entre elas a portuguesa Alice da Silva Aguiar, morreram no ataque.

13 de abril de 2026 às 14:41

O relatório do inquérito feito ao ataque a uma aula de dança em Southport, Reino Unido, em julho de 2024, em que morreram três meninas, uma delas portuguesa, revelou cinco falhas que, se não tivessem acontecido, poderiam ter evitado a tragédia.

Segundo o presidente da comissão de inquérito, Adrian Fulford, a primeira falha diz respeito ao facto de nenhuma identidade ter assumido responsabilidade pela avaliação de Axel Rudakubana - autor do ataque, diagnosticado com autismo - e gestão do risco que o comportamento do jovem representava. "Se, como sociedade, quisermos evitar a repetição do que aconteceu, esta cultura [do não acompanhamento] terá de acabar", diz o presidente da comissão, citado pela Sky News, que considera esta a "conclusão mais importante" do inquérito.

A segunda falha tem a ver com a repetida perda de informações essenciais sobre o estado de Rudakubana. Recorde-se de que o jovem de 17 anos já tinha frequentado um programa antiterrorismo do governo britânico três vezes antes do ataque. 

O facto de Axel estar diagnosticado com autismo levou a que muitos dos comportamentos com conotações violentas fossem justificados com a doença e até ignorados. Esta é considerada pelos autores do relatório como a terceira falha grave.

Adrian Fulford aponta também que o comportamento online do autor do ataque "forneceu os indícios mais claros das suas inclinações violentas" e que essa área da vida do jovem parece nunca ter sido supervisionada ou investigada. Segundo a Sky News, foi possível encontrar um download de um manual de treinamento da Al-Qaeda, bem como de uma "ampla gama de imagens repugnantes e perturbadoras".

Por último, e talvez um dos pontos mais relevantes, a investigação destaca "falhas parentais significativas". Os pais de Axel Rudakubana não estabeleceram limites às ações do filho e permitiram, inclusive, a entrega de facas e armas em casa. Os pais também foram responsáveis pela omissão de diversas informações cruciais sobre a crescente obsessão do filho com violência nos dias que antecederam ao ataque.

Atualmente, Axel está a cumprir pena de prisão perpétua, com um cumprimento mínimo de 52 anos de prisão efetiva.

Elsie Dot Stancombe, de sete anos, Bebe King, de seis, e a portuguesa Alice da Silva Aguiar, de nove, foram as três vítimas mortais do ataque à faca. Várias outras crianças, que frequentavam a aula de dança temática da Taylor Swift, e as instrutoras ficaram feridas. 

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