"Nunca imaginei que viria aqui falar na associação de realizadores e ter uma receção destas", referiu o realizador.
O sucesso de "RRR: Revolta, Rebelião, Revolução", um dos filmes indianos mais vistos de sempre, surpreendeu o realizador veterano S.S. Rajamouli e pode levá-lo até às nomeações para os Óscares, que serão anunciadas a 24 de janeiro.
"Esperava uma grande receção do público indiano, porque fiz o filme para eles", disse S.S. Rajamouli numa sessão de perguntas e respostas na Directors Guild of America, em Hollywood. "Mas nem nos meus sonhos mais loucos antecipei o tipo de reação que gerou no resto do mundo, nunca imaginei que viria aqui falar na associação de realizadores e ter uma receção destas".
A exibição do filme na sala de cinema da DGA culminou com uma ovação de pé, numa altura em que a temporada de prémios está prestes a começar e "RRR" pode vencer vários, como os Critics Choice Awards, que decorrem no domingo, 15 de janeiro, e para o qual está nomeado, assim como foi um dos cinco candidatos a Melhor Filme em Língua Não Inglesa, nos Globo de Ouro, atribuídos na noite de terça-feira, em Los Angeles.
"A forma como gosto de fazer filmes é dar à audiência entretenimento maximalista", descreveu Rajamouli, referindo o facto de "RRR" ter três horas de duração, e revelando que as filmagens demoraram 320 dias. "Se no final disserem que não pareceu três horas, serei um cineasta bem-sucedido", gracejou.
A ação de "RRR" situa-se na Índia colonizada pela Grã-Bretanha, em 1920, e baseia-se de forma criativa em dois revolucionários indianos que lutaram contra o domínio britânico, Alluri Sitarama Raju e Komaram Bheem.
A história que S.S. Rajamouli conta retrata os britânicos como opressores e galvaniza o sentimento nacionalista dos indianos, mas o realizador disse que o foco não foi ficção histórica.
"Embora a premissa seja factual, que os britânicos governaram a Índia durante 90 anos e houve muitos que lutaram pela libertação do país, e os dois personagens Alluri Sitarama Raju e Komaram Bheem sejam pessoas reais, o resto da história é ficcional", frisou. "O espírito dos personagens é que é verdadeiro. Queria contar uma história sobre a amizade, sobre dois amigos cujos caminhos se vão cruzar".
Rajamouli também disse que não se trata de uma produção Bollywood, apesar de partilhar do estilo excessivo daquelas produções e de incluir vários momentos musicais.
"Este não é um filme de Bollywood. É um filme Telugu do sudeste da Índia, de onde eu sou. Uso as canções para avançar a narrativa", explicou o realizador.
A maior parte do filme é falada na língua Telugu, o que torna relevante o facto de a produção ter alcançado tanto sucesso e nomeações em diversas categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhores Efeitos Visuais nos prémios da Associação de Críticos. Em dezembro, Rajamouli venceu o prémio de Melhor Realizador no New York Film Critics Circle.
Este nicho de cinema é também conhecido como "Tollywood" e o ator N.T. Rama Rao Jr., que coprotagoniza a produção com Ram Charan e também esteve presente na DGA em Hollywood, mencionou esse aspeto importante. "Vimos de uma indústria muito pequena, a dos filmes Telugu, e graças a ele [Rajamouli] já não é assim tão pequena".
O ator referiu que as filmagens foram duras e exigentes fisicamente, em especial a gravação do segmento de dança ao som de "Naatu Naatu", que conquistou o Globo de Ouro de Melhor Canção, e que também está nomeada pela Associação de Críticos.
"'Naatu Naatu' foi difícil, não por causa dos passos em si, mas pelo aspeto da sincronização", descreveu N.T. Rama. "Íamos dormir às onze e meia, acordávamos às cinco e meia e estávamos de volta às filmagens. E isto depois de sete dias de ensaios", continuou. "Ele estava fixado na sincronização perfeita".
"RRR" está disponível na plataforma de 'streaming' da Netflix, em Portugal, e alcançou o top 15 de previsões de nomeações aos Óscares da Variety.
Nos Globos de Ouro, atribuídos na noite de terça-feira em Los Angeles, a vitória na categoria de Melhor Filme em Língua Não Inglesa foi para "Argentina, 1985", de Santiago Mitre, centrado no chamado "Processo das Juntas", o primeiro julgamento no país a condenar os dirigentes da ditadura militar (1976-1983) pelos seus crimes.
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