Funcionários exigem melhores condições de trabalho.
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Todas as equipas envolvidas nas produções televisivas em curso na empresa Plural Entertainment pararam esta terça-feira, no âmbito de uma greve parcial que dura até dia 10, depois de os trabalhadores terem cumprido oito horas de trabalho, segundo fonte sindical.
"Todas as equipas pararam, cumpridas as oito horas de trabalho", disse à agência Lusa André Albuquerque, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Espetáculo, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE), especificando tratarem-se das equipas envolvidas nas telenovelas "Valor da Vida" e "A Teia", atualmente em exibição na TVI, que estavam a trabalhar no Porto e nos estúdios da empresa em Bucelas.
Os trabalhadores da empresa de criação de conteúdos televisivos Plural Entertainment (GPE), que faz parte do Grupo Media Capital, iniciaram esta terça-feira uma greve parcial, que dura até 10 de dezembro, em reivindicação por melhores condições de trabalho.
Uma das reivindicações dos trabalhadores "é a redução do Período Normal de Trabalho (PNT), que atualmente atinge as 11 horas de trabalho, durante a maioria dos dias da semana, do mês e do ano".
"Estes horários de trabalho são justificados pela empresa com o pagamento de um subsídio de Isenção de Horário de Trabalho [IHT], na modalidade que vulgarmente se identifica como IHT total. Ou seja, entende a empresa que a única coisa a respeitar são as 11 horas de descanso entre dois dias de trabalho - o que ainda assim nem sempre é cumprido, porque por vezes se passam as 11 horas de trabalho diário no período das gravações, e, para além disso, existem as deslocações e o trabalho de muitos trabalhadores que não termina com o fim do dia de gravações", lê-se num comunicado divulgado na segunda-feira, pelo CENA-STE.
Por isso, "esta greve assume a forma de greve às horas que excedam as oito horas de trabalho em cada um dos turnos e equipas", isto "porque a estes trabalhadores não pode ser aplicado este tipo de IHT, porque as suas funções não requerem disponibilidade total para a empresa, e porque o seu PNT devem ser as oito horas diárias".
Aquela estrutura sindical recorda que "o Grupo Plural Entertainment (GPE), que integra o Grupo Media Capital (GMC), é um dos maiores produtores de conteúdos televisivos em Portugal" e que "as suas produções são feitas por trabalhadores especializados, com diferentes tipos de formação académica, profissional e, em muitos casos, já com vários anos de experiência na sua função".
O GPE integra, de acordo com aquele sindicato, "cerca de 130 trabalhadores nos quadros, aos quais acrescem os que são contratados por projeto e os que trabalham a recibos verdes". "Há dias em que chegam a ser 400 trabalhadores", afirmou.
Esta greve abrange todos os trabalhadores, entre técnicos, atores, pessoal da pré e da pós-produção, cabeleireiros e maquilhadores.
Contactada pela Lusa, fonte oficial do Grupo Media Capital lembrou que as negociações com os trabalhadores "continuam".
Quando questionada sobre se esta greve poderia afetar as produções em curso, a diretora de comunicação do Grupo Media Capital, Helena Forjaz, respondeu que "afetará, mas de forma controlada e pensada". "Estamos preparados para isso", referiu.
Recentemente, a atriz Ana Sofia Martins, que tem trabalhado em várias produções da Plural, e faz parte do elenco de "O Valor da Vida", criticou as condições de trabalho da empresa.
Numa publicação partilhada nas redes sociais na sequência da distinção da telenovela "Ouro Verde" com um Emmy Internacional de Melhor Telenovela a atriz escreveu: "Ganhámos um Emmy! Que sensação boa termos o nosso trabalho reconhecido. Quando digo nosso, não é só o das pessoas que aparecem na TV... Até porque sem os técnicos não somos absolutamente nada. Técnicos esses que são explorados a nível salarial e psicológico. Que trabalham 12 horas por dia, a contratos temporários, ou a recibos, sem segurança."
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