Jornalistas consideraram que estas mudanças provocam "o esvaziamento das marcas históricos consolidadas".
Cerca de uma centena de trabalhadores da rádio pública manifestaram-se esta segunda-feira em frente às instalações da RTP, em Lisboa, contra a mudança de identidade das rádios, considerando que é um ataque à rádio pública.
A partir desta segunda-feira, Antena 1, Antena 2 e Antena 3 deixam para segundo plano estes títulos em detrimento de uma marca única - RTP - introduzida no início de cada nome.
À Lusa, Ana Isabel Costa, do Conselho de Redação da Rádio, referiu estar em causa o receio da perda de identidade, dizendo que a mudança nos microfones não é só um pormenor, é a forma como a rádio se apresenta.
"Recusamos a ser uma nota de rodapé. A Rádio Pública tem 90 anos e não é apagando a sua imagem junto do público que vão dignificar o serviço público de rádio", afirmou.
Os jornalistas consideraram que estas mudanças provocam "o esvaziamento das marcas históricos consolidadas, perda de autonomia das respetivas redações e evidente prejuízo para todos os cidadãos e democracia".
Ana Isabel Costa explicou que os trabalhadores não foram ouvidos no processo, que atribuiu a mudança ao departamento de comunicação da RTP com recurso a uma empresa externa, defendendo que "os conselhos de redação e a comissão de trabalhadores deviam ter sido ouvidos".
Ana Isabel Costa alertou ainda que a mudança pode "confundir o público" e considerou que "esconder as marcas não é favorável" à empresa, defendendo antes o reforço das identidades próprias de cada serviço.
Perante palavras de ordem como "Não somos uma nota de rodapé" ou "CA [Conselho de Administração] escuta, a Rádio está em luta", os trabalhadores exibiam cartazes com mensagens como "Não se moderniza apagando a identidade", "90 anos no ar exigem mais respeito" e "O que somos não é pormenor"
No protesto, o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Luís Simões, disse estar preocupado com as mudanças implementadas pela RTP, mencionando um "golpe na pluralidade e diversidade, num tempo de desinformação".
"Ser tudo RTP é um passo completamente errado, sobretudo quando a rádio tem mais vitalidade do que qualquer televisão", afirmou à Lusa.
O secretário-geral da intersindical CGTP, Tiago Oliveira, também marcou presença no protesto e criticou a ação do Governo, comparando a situação da Lusa à da RTP, uma vez que os trabalhadores não foram auscultados em ambos os processos.
"Há um ataque à rádio pública e à sua história", afirmou Tiago Oliveira, acrescentando que o Governo que "vive muito mal com a opinião dos trabalhadores".
A jornalista da Antena 1 Camila Vidal explicou que "a estratégia da empresa é uma aproximação das redações", embora diferentes meios tenham linguagens distintas, pelo que teme uma perda de autonomia e liberdade editorial.
No dia 18 de março, os jornalistas da RTP rejeitaram em plenário a uniformização das marcas RTP por considerarem que está "em curso a fragilização da informação do serviço público" e pediram a suspensão do processo, segundo o Conselho de Redação da Rádio.
Os jornalistas da rádio e da televisão condenaram terem sido excluídos das mudanças anunciadas para entrarem em vigor a partir desta segunda-feira e rejeitaram as alterações nunca negociadas.
Estes não abdicam das marcas históricas incluídas no universo da Rádio e Televisão de Portugal: Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP África, RDP Internacional, Antena 1 Açores, Antena 1 Madeira e Antena 3 Madeira, RTP 1, RTP 2, RTP Notícias, RTP Madeira, RTP Açores, RTP Internacional, RTP África.
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