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TVI no centro da discórdia

A presença do grupo espanhol Prisa na Media Capital, detentora da estação de Queluz, agitou a sociedade civil com a oposição a criticar a ofensiva ibérica em território nacional.

09 de setembro de 2005 às 00:00

A demissão de João Van Zeller, administrador da TVI, veio alimentar a polémica em torno da Media Capital, grupo proprietário daquele canal de televisão que tem estado na ordem do dia pelos sucessivos aumentos de participações de investidores. João Van Zeller, na TVI desde 1992, apresentou a sua renúncia aos cargos que ocupava no canal e na presidência da RETI, rede de distribuição de sinal da televisão privada controlada pela Media Capital.

João Van Zeller explicou no semanário ‘Expresso’ ter saído por não concordar com as “cumplicidades políticas entre os partidos e Governos socialistas português e espanhol.” Fonte da Media Capital disse à Correio TV que João Van Zeller “não se demitiu nem foi demitido” tendo apenas “negociado amigavelmente a rescisão” do seu contrato.

Entretanto, e depois de Marques Mendes, líder do PSD, ter denunciado a tentativa de compra da TVi pelo grupo espanhol Prisa, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Santos Silva, que tutela a Comunicação Social, comentou: “Em primeiro lugar, o Governo não patrocina a venda de nenhuma estação de televisão. Respeita, isso sim, os negócios na bolsa. Em segundo lugar, quem renova as licenças de televisão é uma entidade reguladora, a Alta Autoridade para a Comunicação Social, que é independente do Governo”.

Também Pais do Amaral reagiu dizendo que tanto o grupo Media Capital como a Prisa “são empresas cotadas em bolsa” sem qualquer intervenção accionista do Estado português e espanhol. O presidente da Media Capital lembrou ainda que “os acordos assinados entre o grupo português e espanhol respeitam escrupulosamente a legislação existente”. Pais do Amaral considera os comentários uma “intromissão inaceitável de forças políticas numa operação entre entidades privadas”. Entretanto, Jorge Tadeu, líder da Igreja Maná, reforçou o interesse na aquisição da TVI e explicou que vai exigir um pedido de desculpas a Pais do Amaral e à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários por “insultos” proferidos contra a sua congregação.

À Correio TV, o director-geral, referiu: “A TVI tem conseguido excelentes audiências este ano! O resultado obtido é fruto da conjugação dos vários factores em que, desde 2000, a TVI vem apostando: ficção portuguesa, informação independente e profissional, entretenimento atractivo, futebol espectacular e bom cinema. Esta tem sido a receita com que a TVI elabora a sua programação, por sinal, a mesma a que vai recorrer até ao final do ano”.

29.02.93 - Arrancam as emissões regulares da TVI (Televisão Independente, ligada à Igreja Católica).

1999 - O canal muda de visão e José Eduardo Moniz assume a direcção-geral da estação, numa fase de decadência.

1999 - Pais do Amaral chega à Media Capital (detentora da TVI). Fala-se de tensão entre Moniz e Pais do Amaral, mas o primeiro mantém-se no canal.

2000 - A estreia do ‘Big Brother’ em Portugal desperta a TVI de uma fase de quebra.

2004 - A empresa alemã RTL (pertença do grupo Bertelsmann) adquire 11,6% da Media Capital.

2005 - Em Julho, o grupo espanhol Prisa (que detém o diário ‘El Pais’, entre outros) passa a controlar 46,32% do grupo de Miguel Pais do Amaral.

2005 - Em Agosto, a RTL reforça a posição na Media Capital para 16%, num braço-de-ferro com os espanhóis. O anúncio de que a LP Brothers (empresa espanhola de capital de risco) tem interesse no grupo português, abre uma polémica. A oposição critica o que diz ser uma “machadada cultural”.

A TVI liderou as audiências em Agosto, apesar de uma ligeira quebra. No ‘prime-time’ , a TVI caíu para 35,1% face aos 35,3% de Julho.

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