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Atriz sul-africana tinha apenas 15 anos quando assistiu a cena violenta.
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A 21 de junho de 1991, Charlize Theron, então com 15 anos, e a mãe, Gerda, tinham ido ao cinema. O pai, Charles, tinha a chave da porta de aço da sua casa, numa pequena fazenda em Benoni, África do Sul, pelo que elas foram buscá-la a casa do irmão dele, que ficava perto.
Charlize entrou rapidamente porque precisava ir à casa de banho e não cumprimentou ninguém, incluindo o pai, que era "muito rico", recordou a atriz, hoje com 50 anos, numa entrevista intimista ao 'The New York Times'. "Ele interpretou isso como uma falta de educação da minha parte." Quando ela e Gerda saíram, acrescentou, "dava para perceber que algo estava diferente".
Naquela mesma noite, Charles chegou em casa furioso e alcoolizado e começou a disparar vários tiros através da porta do quarto onde Charlize e a mãe estavam escondidas. Momentos depois, ele estava morto. A atriz sempre foi sincera sobre o fato de a mãe ter agido em legítima defesa. Mas, ao recordar tudo o que se passou, ela revela o quão profundamente aquela situação moldou a sua vida.
Ao refletir sobre a sua infância, num país violento e dilacerado pelo 'apartheid', ela partilhou detalhes sobre um lar definido pela instabilidade, pelo medo e pela constante sensação de que algo terrível estava por vir.
Quando ela e Gerda chegaram em casa, Charlize foi para o quarto e apagou as luzes, escondendo-se do pai. "Eu estava com medo", lembrou. "A minha janela dava para a entrada da garagem e eu conseguia perceber o nível de raiva, frustração ou infelicidade dele pela maneira como ele entrava com o carro...".
O que aconteceu a seguir foi um verdadeiro pesadelo. "Ele invadiu a casa. Disparou através das portas de aço para entrar, deixando bem claro que nos ia matar", explicou a atriz.
"A minha mãe correu até ao cofre para ir buscar a arma dela e regressou ao meu quarto. Nós estávamos as duas a segurar a porta com os nossos corpos porque não tinha tranca. E ele simplesmente deu um passo para trás e começou a disparar através da porta." Por sorte, as balas não as atingiram, mas "a mensagem foi muito clara".
Enquanto o pai ficou sem balas e se preparava para ir buscar outra arma, Gerda abriu a porta com um puxão "e disparou um tiro pelo corredor que ricocheteou sete vezes e o atingiu na mão", explicou Charlize. "Então ela seguiu o meu pai, que naquele momento estava a tentar alcançar o cofre onde tinha mais armas, e disparou contra ele."
As autoridades não prenderam Gerda nem a acusaram de qualquer crime, determinando que a morte do marido, com quem era casada há 25 anos, foi justificada. Mas o ocorrido ainda teve repercussões. "Isso realmente mudou o nosso relacionamento", admitiu Charlize.
"Sempre fomos muito próximas, como uma equipa. Mas aquela noite mudou tudo porque, em retrospetiva, depois do choque percebi que ela tinha salvado a minha vida."
Na manhã seguinte, Gerda mandou a filha para a escola. "Não foi necessariamente a abordagem mais saudável, mas funcionou para nós... Não tínhamos psicólogos por perto, então, na cabeça dela, a melhor terapia foi 'seguir em frente'".
Um ano depois, aos 16 anos, Charlize mudou-se para Itália para trabalhar como modelo. "Foi incrível porque foi uma fuga", disse ela ao 'Times'. "A única coisa difícil para mim foi deixar a minha mãe. Mas foi ela quem disse: 'Vai e constrói a tua vida. Não há nada aqui para ti.'"
Agora, quase 35 anos depois, a atriz reconhece que o que aconteceu faz parte da sua vida, mas não a define: "Essas coisas precisam ser discutidas porque fazem com que outras pessoas não se sintam sozinhas. Já não sou assombrada por isso."
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