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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Tony Carreira sobre os dois 'presentes' que Sara lhe deixou: "São minhas netas. São filhas da minha filha"

O cantor falou de forma honesta e transparente sobre o luto que carrega, desde que perdeu a filha, Sara.

27 de abril de 2026 às 09:08

Tony Carreira foi entrevistado por Luís Osório no programa 'Vencidos', na RTP Antena 1, e falou de forma honesta e transparente sobre o luto que carrega, a fragilidade da vida e as formas que encontrou para continuar a caminhar após o trágico acidente. 

Dizendo sentir "necessidade" de falar da filha todos os dias, mas "com alegria", o cantor expressou o carinho que nutre por Molly e Roxy, as duas cadelas de Sara Carreira, e dois 'presentes' que a filha lhe deixou.  “Como eu fiquei com as duas cadelinhas dela, a Roxy e a Molly. Para mim, são minhas netas. São filhas da minha filha”, considerou.

O cantor recordou aqueles que foram os mais duros e trágicos momentos da sua vida e a forma como isso o transformou. 

Na partida da minha filha, eu tinha duas possibilidades de andar cá. Uma vez que não me passava pela cabeça sequer acabar com a minha vida, não me passou, graças a Deus não me passou. (…) Porque tenho uma responsabilidade muito grande. Ainda tenho dois filhos e não quero fugir às minhas responsabilidades como pai, pelo menos. Ou o caminho de eu ficar uma pessoa completamente amarga, uma pessoa completamente azeda, completamente revoltada contra tudo. E podia. E tinha, entre aspas, esse direito. (…) Ou tinha a possibilidade de cuidar de mim e de arranjar ferramentas para poder, enquanto cá, andar minimamente bem. Ninguém tem culpa daquilo que me aconteceu, só o universo, portanto enquanto cá andar vou terntar andar bem", confessou logo no início da entrevista.

"Não tinha grande relação com a fé há muitos anos e no desespero da partida da minha filha, certamente, e porque precisava de algumas respostas, interessei-me muito pelo fenómeno da vida após a morte, pela igreja. E há uma pessoa, o bispo D. Américo de Aguiar, que conheci na Basílica [da Estrela] no pior dia da minha vida, que foi muito importante e que me trouxe de volta à fé", recordou.

Tony Carreira não pode ficar indiferente ao apoio que sentiu do País inteiro, que com ele chorou a partida de Sara. "O que é certo é que, com todo o apoio que tive de todo o Portugal inteiro - os que gostavam das minhas canções e os que não gostavam - aprendi a maior das lições: perceber que não somos absolutamente nada”, confessou o artista.

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