A humorista escreveu um texto emotivo para se despedir da 'Avó Estrela', que partiu aos 103 anos.
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Joana Marques partilhou através das redes sociais que a sua avó Estela faleceu, após 103 anos de vida. A radialista da Renascença fez três publicações onde partilhou várias fotografias com a familiar, cada uma acompanhada de um longo e emotivo texto escrito em jeito de homenagem: "A minha avó era imortal, até prova em contrário. Infelizmente a prova chegou. Mas felizmente tardou. Nenhum texto lhe fará justiça, mas como fã nº1 de qualquer coisa que eu escrevesse (com aquela parcialidade que vem com o amor incondicional dos avós), acho que merece uma última (que nunca será) homenagem", começou por dizer.
A humorista revelou que esta familiar chegou a pensar ser atriz, "mas [dizia] que não era uma profissão muito bem vista para meninas nascidas em 1923. Acredito que passou ao lado de uma grande carreira, mas tive a honra de fazer de sua encenadora em muitos teatros caseiros".
Uma colega de escola de Joana chamava-a "Avó Estrela", um erro de grafia que a animadora afirma "não podia estar mais certo": “Era uma estrela. E não, não é ‘uma estrelinha que agora brilha no céu’, como se tenta impingir às crianças para as consolar na hora da partida, ela foi uma estrela aqui, todos os dias. Mas uma estrela rock. Acordava ao meio-dia, só comia o que lhe apetecia e, como qualquer rockstar, era transgressora”, prossegue a animadora da Renascença.
Continuou, relatando experiências inesquecíveis que viveram juntas: "Fosse nas férias no Hotel do Vimeiro, em que o limite legal de gelados por dia era largamente ultrapassado ou anos mais tarde, quando me levava a festas às quais estava proibida de ir." E a maior curiosidade é que as suas datas de aniversário eram idênticas: "Uma, sempre à frente, nascida a 2 de janeiro, a outra, sempre a seguir-lhe os passos, a 3. Em 2004 bastaram duas velas, fizemos 81 e 18. E ia jurar que os 18 eram dela" diz Joana Marques.
Para a humorista a avó "viveu o suficiente para ter dois bisnetos, e direito a mais um nome: ‘Avó Catela’. Bisavó era um título demasiado pesado para alguém tão leve."
Apesar de não ser supersticiosa há algo que agora a deixa a pensar: "Durante anos, no Natal, oferecia-lhe um calendário, que ela pendurava religiosamente na cozinha. Era uma espécie de compromisso, para garantir que completava os doze meses seguintes. Nos últimos tempos, não sei porquê, deixei de dar. Agora posso ver isto como a quebra de uma superstição, que deu azar, ou como a assunção de que realmente não podemos obrigar ninguém a viver para sempre", afirma.
Por fim, recorda a última imagem que tem da sua "fã número 1": "A última imagem que tenho dela é à janela, onde ficava a acenar até dobrarmos a esquina. Assim estou eu, hoje, à janela. Só que ela felizmente não desaparece do meu horizonte, nunca. ‘Pelo sonho é que vamos. Comovidos, mas nunca mudos.' Porque a minha avó, a maior gralha de que há memória, detestava o silêncio. Nunca me vou esquecer dela porque é impossível esquecermos alguém que também somos. Nem é preciso ir vasculhar álbuns antigos, basta olhar ao espelho", concluiu.
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