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“Que sirva de ponto final para outros casos”: Margarida Corceiro sobre partilha de fotografias íntimas na Internet

Atriz comenta partilha de uma foto íntima sua na Internet.

24 de março de 2022 às 01:30

Margarida Corceiro quebrou o silêncio e escreveu um longo texto onde mostra a revolta em relação à partilha de alegadas fotografias íntimas suas na internet. “Voltar aqui [às redes sociais] depois de tudo o que se tem dito sobre mim e sobre a minha imagem não é fácil, mas cá estou”, começa por escrever, deixando clara a indignação que sente. “Que sirva de ponto final para outros casos e que vos ajude a perceber a gravidade da situação. Quero que imaginem, quero que calcem os meus sapatos – meus e de todas as pessoas a quem isto já aconteceu. Imaginem estarem tranquilos na vossa casa ou no vosso trabalho e encontrarem uma imagem que dizem ser vossa a circular pela internet. Milhões de comentários especulativos, milhares de mensagens, telefonemas sem parar e, o mais difícil, verem todos os vossos amigos e família a ter de lidar com tudo o que vai saindo sobre vocês, sem poderem fazer nada. Imaginem sair à rua e terem a sensação de que estão todos a olhar para vocês.”

A atriz de 19 anos diz que está habituada a que circulem mentiras sobre si, algumas até a fazem rir, mas afirma que desta vez foi diferente. “Tenho a sorte de ter uma estrutura familiar coesa, amigos presentes e profissionais que me acompanham e ajudam a lidar com a situação, mas há centenas de pessoas que não têm. Garanto-vos que não me ri com as mensagens que recebi de pessoas com histórias semelhantes e que, por isso, só queriam desaparecer e pôr termo à vida. Não me ri com histórias de pessoas que acabaram mesmo por fazê-lo por verem a sua intimidade completamente violada e partilhada, vezes e vezes sem conta. Recordo, tudo porque alguém decidiu fazer uma partilha.”

Margarida quis deixar um alerta para quem partilhou as imagens com os seus contactos. “Somos assim tão pequeninos para precisarmos de devassa, partilha, escrutínio e julgamento? Somos assim tão fracos para não conseguirmos acabar com o ‘Olha aqui o que me enviaram’? Garanto-vos que deste lado fiquei muito surpreendia pela negativa, por saber que dar corpo a um monstro está nas nossas mãos e que muitos escolheram alimentá-lo e continuar a corrente sem nunca pensarem no impacto que pode estar a ter na vida de alguém”. E concluiu com um alerta. “Que esta minha partilha ajude a refletir sobre este tema e que permita que as centenas de pessoas a quem isto já aconteceu, sobretudo mulheres, possam ser percebidas e não julgadas. E, lembrem-se, agora foi comigo, amanhã pode ser convosco ou com alguém que vos é muito próximo.”

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