Mastigar mais pode ajudar a preservar a saúde do cérebro

Estudos apontam para uma ligação entre a saúde oral, memória e a redução do declínio cognitivo associado ao envelhecimento.

20 de maio de 2026 às 22:28
Mastigar mais pode ajudar a preservar a saúde do cérebro Foto: iStockphoto
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Já se sabia que mastigar mais contribuía para uma melhor digestão, mas os especialistas vieram agora referir que também pode ter implicações positivas diretas no funcionamento do cérebro e na prevenção do Alzheimer. Os investigadores argumentam que melhorar a saúde oral pode contribuir para um menor declínio cognitivo. 

Mastigar "é a primeira fase da digestão", como explica o especialista em saúde oral Andries van der Bilt à BBC, ao mesmo tempo que melhora a absorção dos alimentos e a sensação de saciedade. "Há um interesse crescente na vertente "mordida-cérebro", que propõe que a mastigação está diretamente ligada à saúde cerebral, de acordo com o neurocientista Abhishek Kumar, do Instituto Karolinska, da Suécia, citado pelo canal britânico. 

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Um estudo que contou com a participação de mais de 28 mil pessoas acima dos 50 anos, em 14 países europeus, revelou que os participantes com uma boa capacidade de mastigação, ou que não usavam placas dentárias, apresentaram um melhor desempenho num conjunto de teste cognitivos. Entre os resultados foi detalhada uma melhor capacidade de recordar palavras, fluência verbal e memória numérica. 

Na explicação da ligação entre o mastigar e um maior desempenho cerebral podem estar os "múltiplos circuitos neurais" que conectam o aparelho digestivo ao hipocampo, a região do cérebro responsável pela orientação espacial e a formação de novas memórias, assim como uma das primeiras a ser afetada pela doença do Alzheimer, explicam os especialistas à BBC. Por outro lado, mastigar durante um período mais prolongado pode aumentar o fluxo sanguíneo até ao cérebro, de acordo com pesquisas de cientistas japoneses.

Os investigadores apontam ainda para melhorias na concentração. Num estudo com dois grupos de participantes — um que mascou pastilha elástica e outro que não — o primeiro demonstrou melhores níveis de atenção. Os participantes que mascavam pastilha elástica também demonstraram melhores resultados de desempenho em tarefas cognitivas, assim como um maior nível de alerta. 

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Ainda assim, os especialistas alertam que a relação entre mastigação e saúde cerebral continua a ser investigada. Uma melhor capacidade de mastigação pode também estar associada a outros fatores, como melhor alimentação, maior acesso a cuidados de saúde e estilos de vida mais saudáveis.

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