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A relação pouco saudável da obesidade e do cancro do endométrio

Dia Nacional da Luta contra a Obesidade é assinalado este sábado, dia 23 de maio.

23 de maio de 2026 às 10:00

Em Portugal, cerca de 38% da população adulta tem excesso de peso e 17% obesidade, segundo dados do Eurostat de 2025. Além do impacto que esta doença crónica terá, certamente, na saúde mental de quem é afetado por ela, importa sensibilizar que a obesidade é um fator de risco para as doenças oncológicas, como é exemplo o cancro do endométrio – a camada de tecido que reveste a parede interna do útero.

Em conversa com o Correio da Manhã, a oncologista Diana Neto da Silva explica que a gordura corporal “é como se fosse um órgão endócrino que produz hormonas, nomeadamente mais estrogénios” e que o aumento da circulação destas hormonas sexuais femininas “estimula o útero e, consequentemente, aumenta o risco de cancro do endométrio”, vulgarmente conhecido como cancro do útero.

Além de potenciar esta patologia, a obesidade pode, também, complicar o processo cirúrgico a que o doente é submetido, dificultar a deteção de irregularidades nos exames ou intensificar os efeitos dos tratamentos. “As pessoas obesas podem ter mais fadiga associada aos tratamentos, mas não propriamente um pior resultado”, frisa Diana Neto da Silva.

O Dia Nacional da Luta contra a Obesidade é assinalado este sábado, dia 23 de maio.

Cancro do endométrio

O cancro do endométrio é a doença oncológica ginecológica mais frequente em Portugal. Com maior incidência em mulheres pós menopausa, entre os 60 e 70 anos, este tipo de cancro atinge taxas de 90% de cura se for diagnosticado precocemente.

Mesmo depois da idade fértil, a saúde ginecológica da mulher deve continuar a ser uma prioridade. Qualquer hemorragia vaginal pode ser um sinal de alerta e motivo para procurar ajuda especializada. O aumento do volume abdominal também é um dos sintomas a destacar. Em conversa com o CM, a médica Diana Neto da Silva refere que, embora menos comum, esta doença pode também ser diagnosticada em mulheres mais jovens, pelo que irregularidades menstruais devem ser tidas em consideração.

O número de diagnósticos do cancro do endométrio é cada vez maior o que, segundo a profissional, se pode dever a duas causas: à população estar mais sensibilizada e aos hábitos de vida pouco saudáveis, sedentários e stressantes que dominam grande parte do dia a dia dos portugueses.

Na maior parte dos casos em que o cancro é detetado nos estados iniciais, a mulher é submetida a uma cirurgia que depois pode ser complementada com outros tratamentos. Quando assim é, o impacto da doença na vida da mulher é inferior. “Quando estamos a falar de um cancro diagnosticado já numa fase avançada em que o cancro já saiu do útero e espalhou-se para outros órgãos, estamos a falar de um impacto completamente diferente. Podemos estar a falar de quimioterapia, radioterapia ou de outro tipo de terapêuticas dirigidas. Nesse caso, o objetivo é estabilizar e permitir a maior qualidade de vida”, frisa a oncologista.

Diana Neto da Silva explicou ainda ao Correio da Manhã que cerca de 10% dos casos de cancro do endométrio poderão ser hereditários: “se as pessoas tiverem alguém da família que tenha tido algum cancro ginecológico acabam por ter também recomendação para estar mais alerta para este tipo de cancro”.

Para reduzir o risco desta doença é importante adotar estilos de vida saudáveis: preferir alimentos que não sejam processados, não fumar e praticar atividade física.

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