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Gastos em medicamentos para a obesidade disparam 70%

Portugueses gastaram 130 milhões de euros em 2025, mas este ano a despesa deve chegar aos 220 milhões. São 600 mil euros por dia em remédios que ainda não são comparticipados.

19 de maio de 2026 às 01:30

Os portugueses estão a comprar, este ano, cada vez mais medicamentos inovadores para combater a obesidade, em especial o Mounjaro e o Wegovy. Depois de, em dezembro de 2025, a Organização Mundial de Saúde os ter incluído na lista de fármacos cujo acesso deve ser “universal”, a compra disparou, apesar de ainda não ser comparticipado pelo Estado. Nos primeiros três meses do ano, já se gastaram 55,2€ milhões nestes dois medicamentos, avançou o Público com base em dados do Infarmed. Este valor deixa antever um custo anual de 220,8€ milhões em 2026, o que poderá representar um aumento de gastos de 70% em relação a 2025, quando se gastaram cerca de 130€ milhões. Em Portugal, o gasto diário é de cerca de 613 mil euros nestes dois fármacos, cujo custo anual pode ultrapassar os 5 mil euros.

Ao CM, a médica Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, diz existir “uma prevalência grande da obesidade em Portugal, com 28,7% da população a sofrer da doença, enquanto 60% em pré-obesidade. Não tratar sairá mais caro, porque depois terão doenças associadas”.

Segundo a responsável, “o Estado prepara-se para comparticipar apenas para pessoas com Índice de Massa Corporal [IMC] de 35 ou mais, quando estes já vão para cirurgia e têm de ser tratados antes de operar”. O caminho deve ser outro, no seu entender: “Se isso acontecer vamos ter pessoas obesas a aumentar o peso para ter critério para estes fármacos. Defendo que se comparticipe com IMC superior a 30, ou 27 com doenças associadas, como referem as orientações.”

Fármacos claros benefícios

“A obesidade tem de ser olhada fora do contexto do peso, porque é uma doença e tem de ser tratada para dar anos de qualidade de vida”, afirma Paula Freitas, frisando que estes remédios “reduzem as doenças cardíaca, renal e hepática, a apneia do sono e a diabetes, com benefícios muito superiores aos efeitos secundários, que são náuseas e obstipação limitadas no tempo”.

Comparticipação

Paula Freitas lembrou que a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, disse que “até final da semana teremos notícias sobre a comparticipação destes remédios”.

Ozempic fora

O Ozempic (que com estes medicamentos deixou quase de ser usado) é para a diabetes mas muito procurado para emagrecer por ser comparticipado a 90%. De 2020 a 2025, o Estado pagou 505M€: a PJ acredita que metade é fraude.

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