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Criadores de gado não querem dedos apontados

Artigo publicado no The Guardian antevê que uma UE sem pecuária teria como efeitos a diminuição da biodiversidade, o aumento de incêndios ou o êxodo rural
29 de Novembro de 2019 às 14:09

A carne e a pecuária estão a ser erradamente responsabilizados pela crise climática, uma vez que não se está a ter em consideração os seus benefícios para a sociedade. Este é o argumento de uma campanha que foi lançada em outubro pela indústria pecuária na Europa.

Começaram por aparecer outdoors nas estações de metro de Bruxelas, capital da Bélgica, e rapidamente se juntou uma campanha na comunicação social #meatthefacts. Os anúncios foram financiados pela European Livestock Voice, que é apoiada por organizações que representam os agricultores da UE, produtores de foie gras e a indústria de peles e couro.

"Acreditamos que esta campanha é necessária para lidar com as informações erradas", atirou um porta-voz da Livestock Voice. O grupo pretende que as pessoas conheçam "o cenário completo e as consequências dos discursos simplistas, os quais pedem uma redução drástica de gado". Querem que se saiba o efeito que tal "poderia ter nas áreas rurais da Europa e na sociedade em geral".

O grupo de campanha diz que o atual debate sobre carne e gado tem sido unilateral e que a contribuição do gado para a biodiversidade, a bioenergia e a economia rural foi negligenciada. "Uma UE sem gado perderia não apenas alimentos produzidos localmente, mas também habitats essenciais e biodiversidade. Isso também significaria aumento de incêndios, falta de fertilizantes naturais e energia verde e um êxodo rural", assegura.

Os europeus comem mais que o dobro da carne, conforme recomendam os especialistas. Um relatório de 2018 pedia uma redução de 40 a 50% no setor pecuário, de forma a reduzir a pegada ambiental. A revista Nature concluiu que o consumo de carne bovina no Ocidente precisa de cair 90%. Acredita-se que o setor pecuário seja responsável no mínimo por 14,5% das emissões globais de carbono.

Solução: alternativas verdes

Porém, esta campanha defende que o setor pecuário responde por menos de 6% das emissões climáticas totais da UE. E garante que substituir produtos de origem animal por alternativas vegetais não é a solução universal para as mudanças climáticas, uma vez que os alimentos alternativos têm pegadas ambientais próprias. Substituir combustíveis fósseis por alternativas verdes era uma maneira mais eficaz de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, aconselha o grupo.