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Produtores falam da emissão de metano

Responsáveis das marcas e associações explicam que a alimentação dos ruminantes fixa carbono. Acrescentam que a sua atividade estabelece pessoas no interior e contribui para a diminuição de incêndios
29 de Novembro de 2019 às 14:01

As emissões de metano para a atmosfera durante o processo digestivo do gado bovino criado para consumo de carne têm sido alvo de debate nos últimos anos. Esgrimem-se argumentos e o reitor da Universidade de Coimbra decidiu inclusive eliminar o consumo de carne de vaca das "suas" cantinas universitárias. Fernando Albino, presidente do conselho de administração da Carnalentejana, está convicto de que o que se diz dos efeitos perversos das emissões de metano é "uma falsa questão" no que concerne às vacadas alentejanas criadas em regime extensivo.

"A fixação de carbono oriunda das nossas pastagens naturais aliada aos efeitos positivos que advêm da fixação de pessoas no interior do País e a um melhor controlo do crescimento dos matos e pastagens, com a inerente contribuição para a diminuição de riscos de incêndios, abafam, por completo, os alegados efeitos negativos que advêm das emissões de metano." Assim convida a comer carne de vaca, "de preferência da Raça Alentejana em Linha Pura, a Carnalentejana, com moderação, como mandam as regras e uma boa dieta alimentar".

Olhar para a situação de forma global

Por sua vez, José Pais e Humberto Rocha, secretário técnico da ACBM – Associação de Criadores de Bovinos Mertolengos e consultor técnico-comercial da Promert – Agrupamento de Produtores de Bovinos Mertolengos, respetivamente, explicam que a emissão de metano associada à produção de bovinos (carne e leite) é "uma realidade evidente" e de que nenhum produtor se desmarca. "Não podemos negar que os bovinos, como qualquer ruminante, produzem CO2 e metano, durante o processo digestivo, em quantidades superiores aos outros animais", reconhece e prossegue: "Contudo é preciso olhar para a situação na sua globalidade. Nesta questão partilhamos a opinião do professor Manuel Cancela de Abreu, da Universidade de Évora (ver caixa). O efeito maléfico da produção de bovinos sobre o ambiente e o seu contributo para o aquecimento global não é como por vezes é dito."

Os responsáveis da ACBM e da Promert informam que a maior parte dos alimentos dos ruminantes provêm de pastagens e forragens que "são grandes fixadores de CO2". "Uma pastagem com uma produtividade média ronda as 9 toneladas por hectare (ha) e ano, na parte aérea das plantas, e mais 4,5 toneladas no solo. Considerando uma relação média de 2 ha de pastagem por vaca e ano, a quantidade de carbono fixado suplanta largamente a produção", asseguram.

Recordam ainda que se têm estudado medidas de mitigação da produção de gases com efeito de estufa pelos ruminantes, como a utilização de aditivos e seleção de animais mais eficientes, que se estima pode "reduzir em cerca de 25% a produção de metano".

Menos metano

José Pais e Humberto Rocha acrescentam que a ACBM iniciou em 2018 a seleção de animais mais eficientes na conversão do alimento, com a introdução do controlo individual de ingestão diária de alimento nos machos submetidos a teste em estação. "Basicamente pretendemos aprovar como futuros reprodutores, os machos que para um mesmo nível de desempenho produtivo consomem menos alimento e consequentemente produzirão menos metano".

As alterações climáticas são uma realidade da qual os agricultores portugueses e os criadores de bovinos Mertolengos em particular estão cientes até por serem os primeiros a sentir o seu efeito. Ser agricultor é uma atividade de risco e está sujeita ao clima. "Todos nós concordamos com a redução de emissões nocivas para o ambiente e queremos mitigar o problema. Não queremos que os nossos netos deixem de ser agricultores", garantem.

Sustentável e integrado no ambiente alentejano

Sobre o compromisso ambiental da Carnalentejana, Fernando Albino explica que é completo, pois o maneio das "suas" vacadas em regime extensivo sem recurso a estabulações é sustentável e integrado no ambiente do Alentejo. É que os efeitos positivos da fixação de carbono que advêm das pastagens extensivas são "incomensuravelmente superiores às alegadas emissões de metano, que, no caso das vacadas de regime extensivo são mínimos". Adianta ainda que as fezes dos bovinos são "incorporadas nos solos, aumentando os níveis da sua matéria orgânica, tão necessária à melhoria da qualidade das pastagens naturais".