Adolescentes tomam doses elevadas que podem levar à morte.
O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Helder Mota Filipe, alerta para o risco do jogo praticado na rede social Tik Tok, designado por "desafio do paracetamol". "Os adolescentes e jovens estão a adotar um comportamento de risco, que pode levar à morte", afirma.
"Atualmente, tem sido identificado um aumento de comportamentos de risco, nomeadamente entre adolescentes e jovens, associado à circulação de um “desafio do paracetamol” nas redes sociais, incentivando a toma deliberada de doses elevadas. Este fenómeno, já verificado em países como Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Suíça, entre outros, representa um risco significativo para a saúde, uma vez que a toxicidade do paracetamol pode manifestar-se antes do aparecimento de sintomas clínicos, pelo que se torna imperativa a sua abordagem junto deste grupo etário", explica Helder Mota Filipe.
No Tik Tok, entre os jovens que aceitam este desafio vence o que ingerir mais paracetamol sem ser hospitalizado.
O paracetamol é um dos medicamentos mais utilizados no tratamento sintomático da dor e da febre, devido à sua ação analgésica e antipirética. Quando administrado de acordo com as recomendações, apresenta um perfil de segurança favorável. No entanto, os utentes devem ser sensibilizados para o facto de que o paracetamol não é inócuo e que, tal como todos os medicamentos, apenas deve ser utilizado quando necessário e de acordo com a posologia indicada pelo médico, farmacêutico ou constante do folheto informativo, adverte a Ordem dos Farmacêuticos.
O maior risco associado ao seu uso consiste na ingestão de doses superiores às recomendadas.
Em adultos, a dose diária de paracetamol não deve ultrapassar os 4 g (500 mg a 1 g a cada 4–6 horas), devendo ser reduzida em caso de doença hepática ou presença de fatores de risco. Nas crianças, a dose é calculada com base no peso corporal.
A sobredosagem pode provocar lesão hepática grave e irreversível, podendo evoluir para insuficiência hepática aguda, necessidade de transplante hepático e, em casos extremos, morte.
Menos frequentemente, podem também ocorrer lesões renais, sobretudo associadas a utilização prolongada e/ou ingestão excessiva.
A sobredosagem pode ocorrer por ingestão única de uma dose elevada ou por uso crónico acima das doses recomendadas.
Os sintomas iniciais surgem geralmente nas primeiras 24 horas e incluem náuseas, vómitos, sudação, mal-estar e letargia.
À medida que o dano hepático progride, pode surgir dor abdominal, evoluindo para complicações graves. Perante suspeita de sobredosagem, deve ser procurada assistência médica imediata, mesmo na ausência de sintomas, pois o tratamento é mais eficaz se iniciado precocemente.
Neste contexto, os farmacêuticos assumem um papel particularmente relevante na prevenção de intoxicações e na promoção do uso seguro do paracetamol, através do aconselhamento e da sensibilização dos utentes. O farmacêutico pode também confirmar a composição dos medicamentos utilizados, evitando a toma simultânea de mais do que um medicamento contendo paracetamol (situação frequente em medicamentos para a gripe, constipações e dor). Reforçar o cumprimento da dose máxima diária recomendada e alertar que, na ausência de alívio sintomático, o utente não deve aumentar a dose por iniciativa própria, devendo procurar aconselhamento farmacêutico ou médico. No caso das crianças, assegurar o cumprimento rigoroso das doses recomendadas em função do peso e/ou idade, respeitar a duração do tratamento e garantir o armazenamento dos medicamentos fora do seu alcance.
A Ordem dos Farmacêuticos através do Centro de Informação do Medicamento tem desenvolvido iniciativas com o propósito de promover o uso seguro e responsável dos medicamentos. Convidamo-lo a reler a e-Publicação alusiva a este tema, bem como a divulgar junto dos seus utentes a informação existente na Área do Cidadão.
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