Segundo o ministro da Economia o apoio constitui "uma fonte de financiamento nova", pensada para acelerar a recuperação económica e reforçar a competitividade regional.
O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, anunciou esta terça-feira um instrumento para empresas da região Centro criado com verbas não executadas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), focado em investimentos que podem ir até 400 milhões de euros.
De acordo com um comunicado da Câmara da Marinha Grande (distrito de Leiria), após uma reunião com empresários, Castro Almeida revelou "que o Governo vai abrir, até ao final do mês de fevereiro, o IFIC --- Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade, criado com verbas do PRR não executadas".
"O novo concurso será exclusivamente destinado às empresas da região Centro, afetadas pela tempestade, focado em investimentos que poderão ascender aos 400 milhões de euros, com uma dotação pública de 150 milhões", disse, especificando que o Governo poderá assumir uma comparticipação "entre 30% e 50% a fundo perdido".
Segundo o ministro da Economia e Coesão Territorial, o apoio constitui "uma fonte de financiamento nova", pensada para acelerar a recuperação económica e reforçar a competitividade regional, sendo objetivo do Governo adequar o dinheiro às reais necessidades da região, estabelecendo regras de elegibilidade em diálogo com o tecido empresarial.
Já o secretário de Estado da Indústria, João Rui Ferreira, reforçou que o instrumento é particularmente orientado para a indústria e alinhado com necessidades regionais e setoriais, segundo o mesmo comunicado.
O anúncio foi feito numa reunião que decorreu no Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos (CENTIMFE) e contou com a presença de representantes do Município da Marinha Grande, CCDRC, Estrutura de Missão, IAPMEI, Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, associações empresariais e setoriais e empresários.
Durante a reunião, empresários e representantes setoriais partilharam preocupações e propostas e chamaram a atenção para problemas não resolvidos, como o custo elevado dos geradores devido à falta de normalização da média tensão, situação que ainda está a afetar muitas empresas, indicou ainda a nota informativa da autarquia.
"Este novo programa representa um sinal concreto de reconhecimento das dificuldades vividas pelas empresas da nossa região e da necessidade de uma resposta excecional" disse, citado no comunicado, o presidente da Câmara da Marinha Grande, Paulo Vicente (PS).
Esta terça-feira, o ministro da Economia disse que já foram recebidos pedidos de apoio de quatro mil empresas, que declararam quase mil milhões de euros de prejuízos provocados pelo mau tempo.
Em relação a estragos em habitações próprias, já foram entregues mais de 11 mil pedidos de apoio, acrescentou.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
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