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Mariana Vieira da Silva rejeita que direita "reescreva a história" dos governos PS

"O PS devolveu direitos, criou novos direitos, combateu a pandemia e inflação, e fez isto tudo num quadro de forte recuperação da credibilidade externa do nosso país", salientou a antiga ministra.

28 de março de 2026 às 18:17

A antiga ministra socialista Mariana Vieira da Silva apelou este sábado para que o PS rejeite olhar para o passado "com nostalgia", mas também sem arrependimentos, impedindo que a direita "reescreva a história".

Na sua intervenção no 25.º Congresso do PS, que decorre em Viseu até domingo, a ex-ministra dos governos de António Costa salientou que nos últimos dois anos, desde a anterior reunião magna, o partido passou por duas eleições legislativas, umas autárquicas, presidenciais e eleições internas.

Agora, afirmou a socialista, é tempo de "começar a construir uma alternativa".

"Tudo o que fizemos ou não fizemos no passado conta agora apenas como inspiração ou como aviso para correção. Não devemos olhar para esse passado com nostalgia, mas devemos ainda menos olhar para esse passado com arrependimento", salientou.

Mariana Vieira da Silva apelou para que o PS não permita que a direita "reescreva a história" dos oito anos de governação socialista, enaltecendo que durante esse período foram retirados 700 mil portugueses da pobreza, 650 mil pessoas da precariedade e os rendimentos médios mensais líquidos subiram mais de 31%.

"O PS devolveu direitos, criou novos direitos, combateu a pandemia e inflação, e fez isto tudo num quadro de forte recuperação da credibilidade externa do nosso país", salientou.

A poucos dias de se assinalarem os dois anos de governação da AD (PSD/CDS), Vieira da Silva considerou que "vão ficando cada vez mais claras as diferentes incapacidades dos governos de Luís Montenegro", seja na saúde ou na gestão de crises, como as tempestades que assolaram o país.

Na legislação laboral, Vieira da Silva acusou o executivo de "prepotência e desprezo" pelos processos negociais, com uma ministra "que se sente bafejada pela verdade e quer impor a sua agenda de retrocesso nos direitos dos trabalhadores".

"Agora é na legislação laboral, no futuro na Segurança Social. Temos que estar atentos porque o «não é não» já passou ao «sim sem condições»", criticou, numa referência à postura do Governo com o Chega.

Vieira da Silva salientou que o PS tem que traçar distinções claras com a direita, principalmente no contexto atual.

"Importa que o essencial entendimento sobre o chão comum não prejudique a necessária diferença de caminhos que é ainda mais relevante quando o centro-direita se aproxima da extrema-direita", alertou.

Por último, para dentro, Mariana Vieira da Silva defendeu que "um partido que debate ideias e discute estratégias, não é um partido dividido, é um partido forte".

Momentos depois, o deputado Pedro Vaz fez a primeira referência na reunião magna ao anterior secretário-geral, Pedro Nuno Santos, que não está presente nos trabalhos mas foi convidado para fazer parte da Comissão de Honra que será eleita na reunião magna.

Salientando que o anterior líder em pouco mais de um ano passou por quatro atos eleitorais, Pedro Vaz afirmou: "Pedro Nuno, quero que saibas que esta é a tua casa, sempre foi e continuará a ser".

O deputado pediu que o PS volte às suas fundações, aos militantes e às secções, e pediu mais condições financeiras para as bases.

José Leitão, fundador do PS, elogiou José Luís Carneiro, considerando que tem sabido "aliar flexibilidade e firmeza" e "não fica em cima do muro ou se agacha" -- depois de uma moção setorial ter pedido ao líder do PS que "saia de cima do muro do nim" e afirme o partido como alternativa.

Para José Leitão, o principal partido à direita "capitula perante o populismo" e o PS tem que "manter as pontes com todos os democratas, à esquerda e direita, sem deixar de ser o partido do socialismo democrático".

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