Secretário-geral da OCDE diz que "o ímpeto reformista tem de continuar".
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O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, afirmou esta segunda-feira que Portugal tem feito "progressos muito impressionantes", mas sublinhou que "o ímpeto reformista tem de continuar", que "são muitos os problemas" e há "muito trabalho de casa" ainda por fazer.
Angel Gurría, que está hoje em Lisboa a apresentar o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre a economia portuguesa, saudou os "progressos muito impressionantes", nomeadamente a nível orçamental, mas alertou que agora é preciso trabalhar para "manter e superar [esses progressos] num contexto internacional com muitos desafios".
"O ímpeto reformista de Portugal tem de continuar. São muitos os problemas, há muito trabalho de casa. O endividamento público - mas também o privado - é muito elevado e o setor bancário continua frágil. A produtividade continua a ser baixa em comparação com a média da OCDE. As baixas qualificações da força de trabalho portuguesa não só travam a produtividade como constituem um obstáculo à igualdade dos rendimentos", lançou o secretário-geral da OCDE.
Para Gurría, "são necessárias novas reformas para fomentar o crescimento, a produtividade e em última instância o bem-estar dos portugueses", tendo identificado "três áreas prioritárias" também destacadas no relatório - o setor financeiro, o investimento e as qualificações do mercado de trabalho.
O responsável pela OCDE recordou que Portugal tem a quarta percentagem de crédito malparado mais elevada da área do euro, de cerca de 12%, o que disse ser "uma situação preocupante" que "prejudica a estabilidade do setor financeiro e deixa a economia mais vulnerável".
"São necessários mais incentivos regulamentares para os bancos anularem as dívidas nos seus saldos e desenvolver o mercado da dívida de cobrança duvidosa", defendeu.
O segundo desafio é o investimento, que continua mais de 30% abaixo dos níveis registados 2005, e que Angel Gurría considera ser "uma questão que tem de ser resolvida com urgência".
Para isso, é preciso "reforçar os incentivos a novos investimentos de capitais", o que, por sua vez, exige "melhorias de eficácia judicial, reformas da regulamentação dos mercados de produtos, esforços para reduzir os encargos administrativos e a abertura a novas fontes de financiamento, em especial para as pequenas e médias empresas".
Finalmente, Angel Gurría considerou que "melhorar as competências e as qualificações é outro importante desafio para Portugal", ainda que o país tenha registado progressos nos últimos anos, é preciso dar "especial atenção" à elevada percentagem de abandono escolar, "que se situa perto de 14%, sendo a quarta mais elevada da União Europeia", e também ao "problema da reprovação escolar", já que mais de um terço dos alunos portugueses repetiu o ano escolar pelo menos uma vez até aos 15 anos de idade".
Quanto a este ponto, o secretário-geral da OCDE anunciou o lançamento da segunda e última fase da parceria da OCDE com Portugal relativamente à estratégia de qualificações e competências, que começará na sexta-feira.
"As autoridades portuguesas - através de um comité interministerial, com autoridades do Trabalho, da Educação, da Economia - pediram à OCDE para continuar com a etapa não só de diagnóstico mas de plano de ação. Na sexta-feira, o diretor de educação da OCDE tem uma reunião de trabalho com as autoridades Portugal para lançar a próxima etapa", afirmou.
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