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Correio da Manhã

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Relatos emocionados dos sobreviventes de desastre de comboio na Galiza

Descarrilamento fez quatro mortos e cerca de 50 feridos.
9 de Setembro de 2016 às 16:00
O Porriño, Pontevedra, Galiza, Espanha, Vigo, Porto, descarrilamento, comboio, acidente
O Porriño, Pontevedra, Galiza, Espanha, Vigo, Porto, descarrilamento, comboio, acidente FOTO: EPA

Conception e Antía estavam no comboio que descarrilou, esta sexta-feira, na Galiza. As duas mulheres, de Monforte e Vigo, estavam na terceira carruagem da composição e tudo corria dentro da normalidade quando, de repente, sentiram o comboio a dar um 'salto'. 

"Antes de começar toda esta loucura, estávamos despreocupadas. Sentimos o comboio a saltar e depois descarrilou", explicou uma delas, citada pelo jornal Faro de Vigo. 

O comboio acidentado estava pejado de turistas como Conception e Antía. Aliás, entre as vítimas mortais consta uma pessoa norte-americana.

Dono de café foi o primeiro a chamar o 112

Ramón González dificilmente vai esquecer este dia. Dono do café que serve a estação de comboios de O Porriño, foi ele quem deu o primeiro alerta para a linha de emergência, logo após o acidente. 

"Ouvimos um ruído muito forte e fomos logo lá fora. Era o comboio que tinha descarrilhado", contou ao El Mundo, ainda abalado pelo susto. 

"Ao início, não se via nada por causa do fumo. Uns minutos depois lá conseguimos ver o comboio, a uns 50 metros do café". Foi nessa altura que deu o alerta. "Não tardou a chegar a polícia, os bombeiros e as equipas médicas", assegura. 

Pouco depois, o seu café virou hospital de campanha. A estação de comboios foi encerrada e Ramón passou de servir cafés a ajudar no socorro às vítimas. "O café era o único espaço aberto e com lugares", justificou. 

Acidente de Santiago recordado

O dia-a-dia na zona também foi totalmente alterado, esta sexta-feira. Arim Rodriguez, que mora a um minuto da estação, garante que estava em casa quando a confusão começou. "Fui logo até lá para oferecer ajuda, mas estava tudo controlado e acabei por ir embora, para não estar a estorvar". 

"Cá fora é que estava um caos, porque cortaram muitas ruas para que as ambulâncias pudessem circular. As pessoas também estavam muito nervosas porque se lembravam do acidente de 2013 e tinham medo que fosse outro acidente trágico", explicou. 

Passageira relata segundos de tremideira e estrondo
Uma passageira que escapou ilesa do acidente do comboio Celta hoje registado em Porriño, na Galiza, Espanha, contou à Lusa que tudo aconteceu "em poucos segundos", começando numa "tremideira fora do comum" e terminando um "enorme estrondo".

Carmen San Miguel disse ainda que, pela sua perceção, o comboio "até não seguiria a uma velocidade por aí além".

"Quando senti a tremideira do comboio, até pensei que fosse do mau estado da linha, mas logo de seguida ouvi um enorme estrondo e aí percebi que se tratava de um acidente", contou.

Carmen San Miguel, que seguia com a filha para uma semana de férias no Algarve, na segunda carruagem, foi projetada para o chão, mas não sofreu qualquer ferimento.

"Os que mais sofreram foram os que seguiam na carruagem da frente", adiantou, dando conta do clima de "autêntico pânico" que se instalou.

Os passageiros que escaparam ilesos foram transportados de autocarro até Valença, para a partir daí poderem retomar as suas viagens, mas Carmen, que tinha planeado viajar até ao Algarve de comboio, mudou de planos.

"Fomos [ela e a filha] de táxi até ao Porto e daí até ao Algarve vamos de autocarro. De comboio é que não. O susto foi muito grande", afirmou.

Disse ainda que "muito dificilmente" a viagem de regresso a casa será de comboio.

"Enquanto este pânico não passar, nem pensar. Vi gente a morrer no mesmo comboio em que eu seguia, vi muita gente a gritar, a minha filha a chorar, muito pânico, sinto que não morri por milagre", desabafou.

Tribunal Superior Galiza Porriño Pontevedra acidentes e desastres
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