Casal está a ser julgado por assassinar, desmembrar e enterrar Carlos Morgado.
A Comarca da Madeira começou hoje a julgar o casal suspeito de ter matado o ex-deputado do CDS-PP Carlos Morgado, em 2015, ouvindo os depoimentos dos arguidos sobre a forma como foram praticados os crimes.
Os dois arguidos, um homem com 34 anos e uma mulher de 25, estão acusados dos crimes de homicídio qualificado, por especial perversidade, roubo e profanação de cadáver.
O homem, um eletricista, decidiu prestar esclarecimentos em julgamento (que decorre com um tribunal de júri) e o procurador-adjunto requereu que fosse ouvido sem a presença, na sala de audiências, da mulher - a outra arguida neste processo.
"Cinquenta por cento do que foi dito está errado", disse o arguido, depois de a juíza presidente do coletivo, Carla Menezes, ler a acusação.
O homem admitiu que o crime foi praticado (a 02 de março de 2015) num contexto de prostituição, mencionando que tinha sido vítima de abusos sexuais pelo ex-deputado numa ocasião anterior e que o encontro que os arguidos marcaram com Carlos Morgado visava conseguir um empréstimo de 400 euros para pagar uma dívida.
O arguido sustentou que a violência e as agressões mútuas entre os dois homens começaram quando Carlos Morgado tentou "agarrar" a companheira, numa residencial do Funchal, mas referiu que fez "tudo sozinho".
A mulher, acrescentou, tinha deixado o local para efetuar levantamentos com o cartão multibanco da vítima, que tinha facultado os códigos.
O homem explicou que conseguiu manietar Carlos Morgado e usou um saco de plástico do supermercado para amarrar as mãos da vítima e os atacadores para atar os pés.
Depois, admitiu, agrediu-o e injetou-o com produtos que estavam na posse do ex-deputado (para a disfunção erétil), mas alegou desconhecer a sua utilidade, pensando que seria para este "abusar" da companheira.
Esta injeção provocou convulsões na vítima, pelo que ficou "desnorteado" e, depois de ter consumido haxixe e vodka, decidiu usar o cinto das calças para estrangular o ex-deputado.
"Estava com a ideia de que não podia deixá-lo vivo. Não posso mudar a história", declarou, depois de ser questionado sobre a natureza do relacionamento entre a mulher e o ex-deputado e os produtos que compraram para limpar o local do crime.
O arguido disse que às 20:00 desse dia "já tinha feito tudo com o cadáver, já tinha cortado".
O corpo foi desmembrado e transportado a pé, em dois sacos pretos, para um terreno baldio na freguesia do Imaculado Coração de Maria, nos arredores do Funchal, indicou.
Durante "cinco dias", os sacos eram desenterrados e novamente enterrados, para "tirar mais terra e tornar o buraco mais fundo".
"Eu ia fugir, mas foi quando ela [companheira] disse que estava grávida. Sabia que ia ser apanhado, porque não há crime perfeito", disse.
O homem recusou prestar mais declarações passadas cerca de duas horas e meia de interrogatório.
O tribunal também começou a ouvir a arguida, que declarou desconhecer que o companheiro se prostituía, facto que só chegou ao seu conhecimento quando recebeu a acusação e falou dos encontros com a vítima.
O depoimento foi interrompido para almoço, prosseguindo esta tarde.
O ex-deputado e professor reformado Carlos Morgado, com 66 anos, foi dado oficialmente como desaparecido a 01 março de 2015, tendo seu corpo sido descoberto num terreno baldio nos arredores do Funchal, a 27 de novembro desse ano.
O casal de suspeitos foi detido nesse dia pela Polícia Judiciária, tendo ficado em prisão preventiva.
A família da vítima pede uma indemnização civil por danos patrimoniais e não patrimoniais de 82 mil euros.
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