Deslumbrantes vistas para o património de uma cidade que oferece blues depois do sushi.
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O que aqui surge é a prova de que nem só da Semana Santa vive a cidade de Braga. O segundo melhor destino da Europa de 2019 – a seguir a Budapeste, um prémio promovido pela European Best Destinations – é um lugar onde o futuro é uma história com dois mil anos.
Fundada por César Augusto nos primórdios do Império Romano, a cidade afirmou-se, ao longo dos séculos, pela sua importância religiosa, uma vez que foi uma das primeiras dioceses criadas na Península Ibérica.
Essa raiz católica fez com que as tradições religiosas se fossem mantendo ao longo dos tempos, como aconteceu com as procissões da Semana Santa, que se realizam desde há mais de 600 anos. É claro que os penitentes de outrora, sobretudo os determinados pelos tribunais da Santa Inquisição, são hoje figurantes (os típicos farricocos). Mas, como veremos, Bracara Augusta é muito mais do que um repositório de tradições pascais.
Um parque radical com larga vista sobre a cidade
É uma das novidades de páscoa na cidade de Braga. O Picoto Park, na encosta do monte com o mesmo nome, tem 14 hectares e outras tantas atividades, como circuito de arborismo panorâmico, slide, escalada, salto de queda livre, paintball ou tiro ao alvo. Fazer um slide com vista para a cidade é uma das propostas mais aliciantes deste equipamento que assenta numa forte componente ambiental.
Viagem na história
O oratório e a torre sineira que se vê na imagem encostam-se à mais antiga torre medieval de Braga (edificada em 1372), integrante da muralha fernandina que, na Idade Média, circundou o burgo. Vizinha dos museus Medina e Pio XII, esta torre conta a história da cidade em cinco pisos: Pré-História e época castreja, período romano, Idade Média, Renascença e atualidade.
Para além desta viagem na História, uma visita a esta torre proporciona também, graças aos seus 40 metros de altura, uma espetacular vista sobre a cidade, com destaque para o centro histórico.
Uma ‘Via sacra’ que se faz sempre a subir
A ideia do arquiteto Carlos Amarante teve que ver com a temática do sacrifício. Ou seja, a ordem dos catorze calvários é da primeira estação, ao fundo, em que Jesus é condenado à morte, convidando a subir ao Monte do Calvário, em que se dá a crucificação, a morte, a descida da cruz e a fúnebre procissão para o sepulcro. Ao longo da escadaria encontram-se dez capelas: Cenáculo, Horto, Prisão, Trevas, Açoutes, Coroação, Pretório, Caminho do Calvário, Queda e Coroação.
No Terreiro de Moisés, para além da Basílica, onde se ergue o Calvário, reza-se nas capelas da Elevação e da Descida, e conclui-se a Via Sacra. A oração pode prolongar-se, mas apenas no sábado de Aleluia ou no domingo de Páscoa, junto às capelas das Lágrimas e da Ressurreição. Estes calvários, de grande valor artístico, constituem uma forma de viver a Semana Santa e a Paixão de Cristo.
Passeio romântico
O passeio pode ser romântico no sentido amoroso do termo, ou romântico do ponto de vista artístico e arquitetónico. O melhor será juntar o útil ao agradável. E em Braga há propostas irrecusáveis, a começar pelo Jardim de Santa Bárbara, junto ao Salão Medieval da Universidade do Minho. Este é mundialmente conhecido, mas há outros, igualmente extraordinários, mas que pouca gente faz ideia.
Falamos, por exemplo do jardim-quintal da Casa Museu Nogueira da Silva, na avenida Central, em cujo jardim, de inspiração francesa, se pode admirar, entre outras obras, uma réplica quase perfeita da escultura de Apolo e Dafne, de Gian Bernini. Perto do emblemático Arco da Porta Nova encontra-se o Palácio dos Biscaínhos, cujos jardins foram criados em meados do século XVIII e são uma das grandes referências do período barroco.
Futuro com dois mil anos
A inscrição ‘Bracara Augusta, cidade bimilenar’, indica a chegada à mais antiga cidade portuguesa. Mas a realidade arquitetónica aponta para uma das capitais de distrito mais avançadas do País. O edifício Primavera, no vale de Lamaçães, é apenas a face visível de uma modernidade erguida paredes-meias com um centro histórico gizado ao longo de vários séculos.
Mas há muito mais, como o Instituto Ibérico de Nanotecnologia, o centro tecnológico mais avançado da Península em que dezenas de cientistas procuram o infinitamente pequeno, ou a própria Universidade do Minho, onde o dia a dia é feito de vanguarda. Numa rápida visita à cidade de Braga, é fácil perceber que, a par da preservação do património, a modernidade faz o seu caminho. Um futuro de dois mil anos.
Neste restaurante o sushi é uma ‘relíquia’
Fomos buscar, como se percebe, uma das obras de Eça de Queirós para fazer o título, uma vez que no restaurante bracarense ‘Alma d’Eça’, o prato mais emblemático é de inspiração oriental. O restaurante situa-se na rua Eça de Queirós, daí o nome inspirado no grande escritor que, por sua vez, como se sabe, se inspirou numa viagem ao Oriente para escrever ‘A Relíquia’.
Sentemo-nos, então, à mesa, com vista para o já visitado jardim de Santa Bárbara e apreciemos um suculento naco de boi na brasa, se não formos ousados. Se formos, termos de nos atirar ao sushi, confecionado e servido com todo o requinte.
Noite com música ao vivo na ementa
Para lá chegar é preciso circular na Rodovia, no sentido Braga-Porto, porque, apesar da morada oficial falar na Quinta Madredeus, a verdade é que o ‘Station Blues’ está situado junto a uma das bombas de gasolina da estação de serviço que antecede o túnel da Estação. A Harley Davidson é, de alguma forma, a alma cromática de um espaço em que é frequente a música ao vivo, com destaque para aquela que invadiu as ondas hertzianas nas últimas quatro décadas do século XX.
Depois, os apreciadores podem contar com uma enorme panóplia de cervejas e marcas de uísque. Tudo a par de um fantástico ambiente.
O pecado mora aqui
Não se perca em maus pensamentos, mas na rua Paio Mendes, para onde se abrem as portas da Catedral, mora pelo menos um dos pecados mortais: o da gula.
É que nesta rua (e artérias adjacentes) há bares e restaurantes quase porta sim, porta sim. E a esmagadora maioria, para não dizer todos, de excelente qualidade. Por isso, mesmo em tempos de Semana Santa, em que se apela a sacrifícios quaresmais, como o jejum e a abstinência, é difícil resistir a uma sandes de presunto e uma tigela de verde tinto.
É só um exemplo, porque a perdição é um extenso cardápio de sabores típicos da região do Minho.
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