O grupo segurador de origem italiana está presente em 50 países, mas, como salienta Pedro Carvalho, “não é em todos que tem uma posição de número 1, número 2 ou número 3. Estamos a falar de 15 a 20 países, o que tornou Portugal, que está na zona euro, uma operação particularmente relevante para o grupo
A Generali está presente em Portugal há cerca de 80 anos e durante muito tempo “tinha operações corporativas de grandes empresas, mas nunca conseguira penetrar no mercado de retalho e por isso não tinha uma grande dimensão. Tinha cerca de 200 milhões de euros de prémios, uma quota de 2%. É um setor relativamente maduro e, portanto, o crescimento orgânico é particularmente difícil”, disse Pedro Carvalho, CEO da Generali Tranquilidade, no programa Economia Sem Fronteiras, do canal Now, apresentado por Miguel Frasquilho.
Com a aquisição da Tranquilidade em 2020, tornou-se a segunda maior seguradora do ramo não vida em Portugal, papel que reforçou em 2023 com a aquisição da Liberty Seguros. No ramo vida tem crescido muito nos últimos dois anos, o que resulta da parceria de longo prazo que fizeram com o Banco CTT, de que é acionista, para distribuição de seguros, em particular seguros de vida.
A integração entre a Tranquilidade e a Generali foi “rápida e bem-sucedida, sem perder clientes nem negócio, tendo sido feita em menos de 12 meses e apanhámos um período muito complicado, que foi a covid-19. Foi uma integração feita remotamente”, desvenda Pedro Carvalho. Ao mesmo tempo, adotaram-se políticas do grupo Generali e fizeram-se investimentos em tecnologia e centros de excelência para incorporar o know-how e a experiência acumulada ao serviço dos clientes, “em particular dos clientes empresariais, onde o nível de sofisticação se sente mais e é mais diferenciado face ao que a antiga Tranquilidade tinha”, destaca Pedro Carvalho.
As receitas da Generali Tranquilidade, medidas pelos prémios brutos emitidos, cresceram mais de 150% desde 2019, tendo atingido mais de 2.200 milhões de euros em 2025. Um dos principais contributos veio da aquisição da Liberty Seguros em 2023, que “trouxe mais capacidade, know-how, mais pessoas e acrescentou umas centenas de milhões de euros de prémios adicionais”, recorda Pedro Carvalho. Sublinha que hoje o grupo Generali tem uma rede capilar, “opera em todos os segmentos e linhas de negócio, com todo o tipo de dimensão de empresas, é particularmente omnipresente”.
O crescimento foi ainda sustentado pelos grandes investimentos na área da tecnologia, pela digitalização e pela introdução de maior eficiência, e pelo que Pedro Carvalho denomina “multi-holding”. Esta tem a ver com o aumento da subscrição de apólices de vários ramos pelos clientes, gerando uma redução do gap de proteção a nível empresarial, pessoal e individual.
Pedro Carvalho explica que tanto a Tranquilidade como a Açoreana foram adquiridas pelo Grupo Apollo, após terem sido vítimas das quedas, respetivamente, dos grupos financeiros Espírito Santo e Banif. “Em 2019 fez-se o luto em termos financeiros, contabilísticos, destas operações, a chamada limpeza de balanço, e já se estava em recuperação”, afirma. A partir de 2020, os resultados tornaram-se positivos e em 2025 foram apurados lucros de 160 milhões de euros.
No período entre 2019 e 2025, o número de trabalhadores cresceu mais de 40%, atingindo os 1.300, o que está relacionado com a integração da Liberty Seguros, o que também fez os prémios passarem de 1,4 mil milhões para 2,2 mil milhões.
Para além de seguradora, a Generali Tranquilidade é também uma gestora de ativos com cerca de 10 mil milhões de euros em ativos sob gestão, que estão investidos em parte na economia portuguesa e, noutra parte, no mercado internacional, em obrigações, empresas portuguesas, imobiliário e, inclusive, em ações, mas muito menos em dívida pública.
As seguradoras em Portugal têm 55 mil milhões de euros em ativos sob gestão, enquanto o Grupo Generali tem aproximadamente 1 trilião de ativos sob gestão, tendo atualmente em Portugal 12 a 13 mil milhões investidos. Dentro deste papel de investidor institucional, “alguns fundos que operam na área da sustentabilidade e da transição energética têm sido alvo de especial atenção, porque isso faz parte da estratégia do Grupo Generali”, afirma Pedro Carvalho.
“Estamos no meio de uma revolução tecnológica, o que implica investir muito em tecnologia, em inteligência artificial, pensando nos clientes, nos colaboradores e nos parceiros”, disse Pedro Carvalho. Considera que, dentro de cinco a dez anos, “a nossa relação com os clientes, a forma como operamos, as soluções e os modelos de interação vão ser completamente diferentes.
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