Bianca Gonçalves Rocha
JornalistaJoana Mendes
JornalistaLeitura do acórdão marcada para 15 de Junho, às 15h30
Ministério Público pede condenação por homicídio simples e suspensão de funções a agente da PSP que disparou o tiro fatal a Odair Moniz. Leitura do acórdão está marcada para 15 de Junho, às 15h30.
PSP Bruno Pinto afirma que "não está tudo filmado"
"Eu pensei que não haveria dúvidas aqui relativamente à faca", começou por dizer Bruno Pinto.
"Eu mencionei que, durante aquele silêncio depois de efetuar disparos, houve um silêncio e a primeira coisa que ouço "ainda bem que está tudo gravado". Foi o vizinho. Não sei se lhe pediram só os vídeos convenientes ou se lhe apreenderam o telemóvel", disse o agente.
"Não concordo quando se diz que está tudo filmado do princípio ao fim, porque não está. Nós temos uma gravação e existe um fumo do radiar a cobrir aquele bocadinho. São coincidências infelizes, mas acho que não tenho responsabilidade sobre isso. Só fiz conforme os procedimentos, do princípio ao fim, da melhor maneira que me compete com o que tenho", alegou Bruno Pinto.
Defesa do PSP critica perícias e aponta falhas na investigação
"Onde estão as imagens onde se vê o Sr. Odair Moniz a cair e o reflexo na mão? É perfeitamente visível. Está documentado, no momento em que o senhor Odair vai a cair ao solo, antes de ir ao solo, do lado da mão que ele levantou vê-se um clarão", apontou Ricardo Serrano Vieira, advogado do psp Bruno Pinto.
"Por isso é que a defesa, desde o início não compreendeu muito bem como é que se fez aquele protocolo. Vemos a reportagem fotográfica. A lâmina tem vestígios que parecemser sangue , mas não apresentava vestígios nas perícias. Se usaram vapor eliminaram os vestigios todos. É óbvio", acrescentou Ricardo Serrano Vieira
Correio da Manhã
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Advogado da família de Odair pede que PSP Bruno Pinto seja condenado por homicídio simples agravado com dolo direto
José Semedo Fernando, advogado da família de Odair Moniz, acabou de falar para a sala de audiências, e quer que o agente Bruno Pinto seja condenado pelo crime de homicídio simples agravado com dolo direto.
Ministério Público pede condenação de PSP que disparou tiro mortal contra Odair Moniz
O Ministério Público pediu a condenação do agente da PSP que disparou e atingiu mortalmente Odair Moniz.
Nas alegações finais, o procurador frisou: "Não deve ser dado como provado que Odair tivesse municiado de arma branca e que tivesse usado para tentar agredir o PSP. Conclusão: o arguido não agiu em legítima defesa".
Inspetora-chefe da PJ que investigou morte de Odair Moniz diz que nas imagens "não havia uma arma branca"
A Inspetora-chefe da Polícia Judiciária, Cláudia Soares, começa a testemunhar.
Cláudia Soares explica os procedimentos feitos durante aquela manhã, após chegar ao local do crime: "o objetivo era recriar todos os acontecimentos e tentar encontrar outros vestígios que não tenham ainda sido identificados". A Inspetora-chefe descreve onde estava o punhal na altura em que chegou ao local: "Bolsas e punhal estavam junto a uma mancha hemática [mancha de sangue]. Local onde vítima veio a cair, junto a carro vermelho".
Cláudia Soares acredita que não havia uma arma branca. "É minha convicção que não havia uma arma branca. Quando a vítima cai no chão, não se vê nenhuma arma. Temos imagens de outra perspetiva e não se vê a faca. A mesma não tem qualquer vestígio. No início, em momento algum se ouve falar da faca. Era expectável que se falasse. A primeira coisa a fazer é afastar a faca e acondiciona-la. Isso não acontece. Se a faca fosse manipulada pela vítima, tinha de haver vestígios. A própria vítima ficou com vestígios do agente nele porque houve transferência. O mesmo teria de ter acontecido com a faca. Portanto, acho muito difícil que tenha sido manipulada pela vítima. Parece-me praticamente impossível", prossegue a Inspetora-chefe.
"A vítima estava a resistir com violência à detenção. Os agentes eram novos, estavam com alguma dificuldade a fazer aquela detenção. Não é por acaso que a vítima vai para o sítio de onde saiu, porque é um sítio que está à vontade. O bairro da Cova da Moura é um bairro muito hostil à presença de polícias. Não é fácil de lidar porque se percebe que estão em dificuldades e, possivelmente, estão com receio, porque foram agredidos e estavam com dificuldades na detenção. Acho que estão em desvantagem, não têm muita experiência e foram agredidos. Eu chego ao local e vejo a faca. A faca já lá estava quando lá chegámos. Vi um punhal e os peritos da cena do crime recolheram-na."
Advogado do agente da PSP confronta Inspetora-chefe com relatório pericial à faca. Cláudia Soares responde: "não há vestígios lofoscópicos na faca".
Começa a sessão
No início da sessão, o advogado da família de Odair Moniz, José Semedo, pediu "que seja feita Justiça". Já o advogado do agente da PSP acusado da morte de Odair Moniz, garantiu que vão "trabalhar para a absolvição".
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