Antes da privatização, em 1996, a Tabaqueira exportava 3% da produção e era uma fábrica local. Hoje exporta 91% da produção. As exportações passaram de cerca de 571 milhões de euros, em 2019, para 1.067 milhões, em 2025, um crescimento de quase 87%
Uma empresa que começou como uma fábrica de cigarros em Sintra há 99 anos, a Tabaqueira foi, em 2025, a sétima maior exportadora do país. Temos uma base industrial e tecnológica muito forte, que desenvolve inovação em tecnologia e software, e temos serviços financeiros para 160 países”, disse Marcelo Nico, diretor-geral da Tabaqueira, no programa Economia Sem Fronteiras, do canal Now. Salientou que antes da privatização, em 1996, a Tabaqueira exportava 3% da produção e era uma fábrica local. Hoje exporta 91% da produção e é uma empresa orientada para o mercado europeu e global. As exportações passaram de cerca de 571 milhões de euros, em 2019, para 1.067 milhões, em 2025, um crescimento de quase 87%, num período que foi marcado por uma pandemia, choques logísticos e ciclos difíceis na economia global. A Tabaqueira exporta 95% dentro da Europa, tendo como principais mercados, além de Portugal, Espanha, França e Itália.
Os mercados do Norte de África, sobretudo Egito e Marrocos, são clientes relevantes na área industrial. Mas, como realça Marcelo Nico, “exportamos para 160 países os serviços financeiros e de tecnologia de informação, ou seja, a exportação que continua a aumentar mais é a de serviços de alto valor acrescentado e de tecnologia e inovação que fazemos com estes centros de excelência baseados em Albarraque”.
Marcelo Nico considerou que a Tabaqueira tem bons indicadores de performance internacionais, produzindo 15% dos cigarros consumidos em toda a União Europeia. Deu como exemplo o facto de, na fábrica de Albarraque, em Sintra, o movimento das matérias-primas ser feito por veículos autónomos, existirem braços robóticos a carregar as máquinas e as máquinas de produção serem as mais rápidas do mundo, fabricando 15 mil cigarros por minuto. Contam ainda com inteligência artificial para fazer manutenção preventiva das máquinas.
Entre 2019 e 2025, a Tabaqueira passou de 935 colaboradores para 1.559, um aumento de mais de 85%, ou seja, quase duplicou. Marcelo Nico salientou que este crescimento se deve ao investimento direto estrangeiro feito pela Philip Morris International na afiliada portuguesa, por acreditar no talento português, e que “sistematicamente investe para ter uma das fábricas mais competitivas do mundo”.
Para Marcelo Nico, “é importante um diálogo constante, transparente e responsável com quem faz a regulamentação e a fiscalidade”. Considera que “é um setor altamente regulado justamente porque são produtos que contêm nicotina, que causa dependência. Tem uma carga fiscal muito elevada, mais de 80% do preço de venda é carga fiscal”. Em 2025, a Tabaqueira contribuiu com perto de 1,3 mil milhões de euros em receitas fiscais, que representam mais de 1% da receita fiscal e contributiva do Estado português, e com 469 milhões de euros de contributo líquido para a balança comercial. Sublinhou que a Tabaqueira tem em Portugal 3 mil empresas fornecedoras, a quem compra anualmente mais de 110 milhões de euros, e tem impacto em cerca de 40 mil pessoas.
Portugal tem uma fiscalidade exemplar em termos europeus, porque todos os produtos de nicotina estão taxados, com aumentos graduais que incrementam a receita fiscal, mas mantêm um nível baixo de comércio ilícito, na ordem dos 2%.
“Há dez anos, a Philip Morris International decidiu, sendo a maior empresa de produção e comercialização de cigarros, mudar a visão da empresa e contribuir para criar um mundo sem fumo e substituir os cigarros por produtos alternativos, sem combustão, com um impacto diferenciado na saúde. Este shift levou ao desenvolvimento de ciência, tecnologia e investimento”, afirmou Marcelo Nico. Revelou que “há dez anos só 2% das receitas eram de produtos sem fumo. Hoje, mundialmente, 42% das receitas da Philip Morris International são produtos alternativos ao cigarro tradicional”.
Um dos produtos alternativos é o IQOS, que chegou a Portugal em 2015 e que enfrenta em Portugal uma carga fiscal superior à dos cigarros de enrolar. Para Marcelo Nico, “a nossa visão é clara, vamos substituir o cigarro por produtos alternativos. A rapidez desta substituição não pode ser feita por uma empresa, porque a regulamentação e a fiscalidade podem acelerar ou diminuir a velocidade da transformação”.
A Comissão Europeia prepara novas regras de tributação do tabaco, a Tobacco Excise Directive, nas quais se prevê que parte da receita fiscal seja para Bruxelas. Segundo Marcelo Nico, “Portugal tem uma fiscalidade exemplar em termos europeus, porque todos os produtos de nicotina estão taxados, diferenciados nas diferentes categorias, com aumentos graduais que incrementam a receita fiscal, mas mantêm um equilíbrio e um nível baixo de comércio ilícito, que anda em torno de 2%. A média europeia está em 9%”.
Os países que fizeram aumentos exagerados de fiscalidade em períodos breves de tempo fizeram com que grande parte do mercado passasse para o comércio ilícito. Por exemplo, hoje, mais de 40% do mercado francês de produtos de tabaco é ilícito e o governo francês perde 7 mil milhões de euros anualmente em receitas que “vão para o crime e não ficam no Estado”, reforça Marcelo Nico.
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