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Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

As críticas à Margarida são factos comprováveis

João Pedro George é o homem do momento: ‘atirou-se’ à escrita de Margarida Rebelo Pinto e esta queixou-se à Justiça. Ontem à noite, na Casa Fernando Pessoa, acusou a crítica portuguesa de “amiguismo”. Falámos com ele.

31 de março de 2006 às 00:00

Correio da Manhã – O que acontecerá se o Tribunal der razão à providência cautelar de Margarida Rebelo Pinto (MRP)?

João Pedro George – Para já tenho dez dias para interpor recurso. Depois, se houver mesmo uma providência cautelar, os livros não poderão ir para as livrarias.

– Mudará o título da obra? Afinal é só isso que a MRP pode impedir...

– Se for essa a decisão do juiz, teremos de o fazer, mas isso vai abrir um precedente estranho, parece--me. O que a MRP alega é que o seu nome é uma marca registada. Isso quer dizer que, daqui para a frente, não se podem escrever ensaios sobre alguém? Imagine que quero escrever um ensaio sobre os filmes do Walt Disney. Não posso usar o nome dele no título? Não posso informar os meus leitores do conteúdo do meu ensaio? Pergunto eu.

– A MRP acusa-o de provocar a queda de vendas dos livros dela.

– Isso não tem qualquer fundamento. A queda de vendas dos livros dela já vem de trás.

– Vai publicar um livro que reúne críticas a Lobo Antunes, Inês Pedrosa, Sousa Tavares e outros. Teme que outros escritores possam avançar também contra si?

– A crítica da crítica é possível, legítima e saudável, mas não acredito nisso. O máximo que podem fazer é ir para os jornais dizer mal de mim. Mas isso é mesmo assim: uma opinião crítica não é uma verdade, é uma opinião. As críticas que faço à MRP são factos comprováveis: ela repete frases de livro para livro.

– Ontem, no ciclo ‘Livros em Desassossego’, na Casa Pessoa, evocou a questão do amiguismo na crítica portuguesa...

– Sim. Acho que há, e muito, e não sei se é possível mudar. O primeiro passo seria os críticos deixarem de escrever sobre os seus colegas de redacção, por exemplo. Mas é um meio muito permeável às relações interpessoais, aos favores e às oportunidades de trabalho...

– Não teme ficar fora do ‘sistema’?

– Se ficar de fora, azar. Não vou fazer leituras diplomáticas sobre livros. Se gosto, gosto, se não gosto, não gosto! E quanto mais não seja, restam-me os blogues.

– E não está a tentar chamar as atenções à custa da MRP?

– Ela é a única responsável por isso. Se não tivesse pedido a providência cautelar, o livro seguiria o seu rumo normal e vendia o que tinha a vender. Eu não vou ficar rico com isto. Se ganhar 2500 euros já é muito bom.

No seu blogue www.esplanar.blogspot.com, João Pedro George escreve sobre tudo: de livros a programas de TV ou crónicas jornalísticas. A sua análise da obra de Margarida Rebelo Pinto valeu-lhe um convite para publicar o ensaio ‘Couves & Alforrecas, os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto’, mas a escritora interpôs uma providência cautelar. Dia 5 edita ‘Não é Fácil Dizer Bem - Crítica, Obsessões e Outras Ficções’, onde analisa vários escritores portugueses.

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