Audrey Hepburn – a estrela de filmes como ‘Boneca de Luxo’ e ‘Sabrina’ – era uma mulher muito frágil e triste, que procurou incessantemente um sentido para a vida e que só o encontrou quando se entregou à causa da defesa das crianças, na UNICEF.
Pelo menos é o que garante o biógrafo da actriz, Donald Spoto – que já tinha assinado as biografias de Marilyn Monroe e de Alfred Hitchcock – e que acaba de lançar, nos Estados Unidos, um livro de 350 páginas em que traça com profundidade o retrato da diva. O livro traz grandes novidades em relação àquilo que se sabia sobre Hepburn, cujo nome é, em Hollywood, sinónimo de ‘glamour’, elegância e sofisticação.
Por exemplo, Spoto aventa que teria Hepburn tido repetidos envolvimentos amorosos com os parceiros de tela – casos de Albert Finney, William Holden, Robert Anderson ou Ben Gazzara – e que nenhum dos dois casamentos (o primeiro com o actor e produtor Mel Ferrer; o segundo com o aristocrata italiano Andrea Dotti) foram totalmente felizes.
Aliás, Spoto diz que o romance com Gazzara foi tão doloroso para a actriz, levando-a a um nível de desespero tão grande que, na altura, esta teria perdido toda a auto-estima.
A tese do biógrafo é a de que Audrey Hepburn nunca encontrou o grande amor da sua vida e, profundamente afectada pelas carências afectivas que marcaram a sua infância e adolescência (o pai abandonou a família quando ela era pequena, a mãe tinha um temperamento frio), nunca conseguiu ultrapassar a timidez e a insegurança.
Sob o título ‘Audrey Hepburn: a Biografia’, a obra revela ainda que a actriz teve vários problemas em engravidar e que, entre os filhos (um de cada marido), sofreu cinco abortos espontâneos.
Apesar das revelações, Donald Spoto garante que o objectivo do seu livro não é o de desmistificar o ídolo, nem de lhe retirar o brilho, mas antes mostrar como, apesar de toda a dor, Hepburn conseguiu ser uma mulher excepcional, não só como actriz mas como defensora das causas humanitárias.
Audrey Kathleen Ruston nasceu em Bruxelas, na Bélgica, a 4 de Maio de 1929, descendente de aristocratas holandeses, e estudou bailado antes de se dedicar ao cinema. Estreou-se em ‘Férias em Roma’, onde obteve o único Óscar da sua carreira, e foi, durante as décadas de 50 e 60, uma das actrizes mais requisitadas de Hollywood. Faleceu em 1993, com 63 anos.
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