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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Beatriz Batarda bate nos políticos

Peça de William Shakespeare é pretexto para falar de uma sociedade nova.

08 de janeiro de 2014 às 14:00

Quando o Duque Frederico expulsa Rosalinda das suas terras, atira-lhe a frase: "A minha decisão é irrevogável". Quem o ouve, não pode deixar de rir. A memória da "decisão irrevogável" do ministro Paulo Portas - que afinal se revelou bem revogável - ainda está fresca.

Mas é apenas uma das várias piscadelas de olho que Beatriz Batarda envia ao público diretamente do palco do Teatro Municipal São Luiz, onde estreia, terça-feira, às 21h00, ‘Como Queiram', de William Shakespeare.

A encenadora, que há muito tinha este projeto em carteira, garante que "não quis fazer política" com a peça que Shakespeare registou em 1600, mas admite que procurou, de entre todos os textos do dramaturgo, um que lhe permitisse "falar do tema da usurpação".

"A peça retrata uma sociedade que rebenta porque as pessoas que servem a estrutura se veem afastadas da mesma - por expulsão ou por escolha", reflete Beatriz Batarda. "Vão para a floresta e aí reencontram a sua verdadeira essência. Aí reformulam as suas prioridades, para construir uma nova sociedade - que sirva as pessoas, e não o inverso."

Num cenário muito simples, quase rudimentar, há cravos vermelhos pintados em panos brancos, alegoria de um 25 de abril que Batarda diz hoje "quase do domínio do mito".

"Trouxe para cena o meu universo e as minhas memórias", explica.

De um elenco feito de cumplicidades, a criadora destaca o trabalho do coletivo, sem deixar de elogiar a protagonista, Carla Maciel, "muito mais do que poderia esperar". O espetáculo estará em cena até dia 26. Depois apresenta-se em Viseu, no Porto, em Guimarães e em Braga.

PORMENORES

MESTRE ISABELINO FAZ 450 ANOS

O ano de 2014 marca os 450 anos do nascimento de William Shakespeare. Este espetáculo de Beatriz Batarda é o primeiro a assinalar a data no nosso país.

TRADUÇÃO DE RAIZ

Daniel Jonas traduziu a peça para esta montagem, cortando "apenas parte de duas cenas", e respeitando o verso. Encenadora queria "um texto vibrante" mas "sem sem facilitismo".

ELENCO SURPREENDE

Bruno Nogueira faz de cínico e Marco Martins de Duque. São duas surpresas do elenco, que conta ainda com Nuno Lopes, Rui Mendes, Sara Carinhas, Romeu Costa e Luísa Cruz.

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