Ida de Portugal à Eurovisão está em risco depois de quase todos os artistas recusarem participar caso vençam, em protesto contra a inclusão de Israel.
O Festival da Canção 2026 começa este sábado, com oito canções a competirem por cinco lugares na final do concurso, em 7 de março, cujo vencedor habitualmente representa Portugal no Festival Eurovisão da Canção, que este ano acontece na Áustria.
Este ano, em que o concurso promovido pela RTP cumpre a 60.ª edição, competem 16 canções, oito em cada semifinal.
Na semifinal de hoje, a primeira de duas, estarão em competição, por ordem de apresentação: "Jurei" (tema composto e interpretado por Dinis Mota), "Fumo" (Nunca Mates o Mandarim), "Sprint" (EVAYA), "Dá-me a tua mão" (André Amaro), "Nos teus olhos" (Bateu Matou), "Chuva" (Marquise),"Onde quero estar" (Agridoce) e "Pertencer" (tema composto por Djodje e interpretado por Mário Marta).
Destas canções serão escolhidas cinco: quatro através do sistema de votação habitual (metade da pontuação atribuída por um júri profissional e a outra metade pelo voto do público) e uma quinta escolhida apenas pela votação do público.
Na segunda semifinal, marcada para 28 de fevereiro, competem outras oito canções. Nesse dia serão escolhidas as restantes cinco canções que disputarão a final, marcada para 07 de março.
Este ano, as duas semifinais e a final do concurso acontecem nos estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, no concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, o que permitirá um palco maior e uma plateia com público, com capacidade para cerca de 500 pessoas.
Tanto as semifinais como a final são transmitidas em direto na RTP1, RTP Internacional, RTP África e RTP Play.
O tema vencedor do Festival da Canção 2026 deverá representar Portugal no 70.º Festival Eurovisão da Canção, marcado para maio, na Áustria.
No entanto tal poderá não acontecer, tendo em conta que a maioria dos participantes anunciou em dezembro a recusa em representar Portugal na Eurovisão, em protesto contra a participação de Israel no concurso.
Cristina Branco, Djodje, Beatriz Bronze (EVAYA), Rita Dias, Francisco Fontes, Gonçalo Gomes, Pedro Fernandes (que trabalha com Gonçalo Gomes), Inês Sousa, Jorge Gonçalves (Jacaréu), Dinis Mota, Bateu Matou, Marquise e Nunca Mates o Mandarim anunciaram que não aceitam representar Portugal na Eurovisão, caso vençam o Festival da Canção.
De fora ficaram os Bandidos do Cante, as Agridoce, André Amaro e Sandrino.
Os Bandidos do Cante, numa publicação nas redes sociais, referiram que, "se um dia o público e o júri entenderem" que a canção que apresentarem "deve vencer", irão "representar Portugal com responsabilidade, respeito e dignidade".
Já as Agridoce, também numa publicação nas redes sociais, deixaram uma possível decisão sobre a Eurovisão para depois.
Este ano serão 35 os países a competir na Eurovisão, após desistências de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia, devido à participação de Israel no concurso, e regressos à competição da Bulgária, da Roménia e da Moldávia, ao fim de três, dois e um ano de ausência, respetivamente.
Os boicotes devem-se aos ataques militares de Israel no território palestiniano da Faixa de Gaza, nos dois últimos anos, que mataram pelo menos 67 mil pessoas e foram classificados como genocídio por uma comissão internacional independente de investigação da Organização das Nações Unidas.
O Festival Eurovisão da Canção é organizado pela União Europeia de Radiodifusão (UER) em cooperação com operadores públicos de televisão de mais de 35 países, entre os quais a RTP.
O Festival Eurovisão da Canção realiza-se anualmente desde 1956 e já houve países excluídos, caso da Bielorrússia, em 2021, após a reeleição do presidente Aleksandr Lukashenko, e da Rússia, em 2022, após a invasão da Ucrânia.
Israel foi o primeiro país não europeu a poder participar, em 1973, e ganhou quatro vezes.
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