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Filosofia perde quem melhor lhe deu voz

Fernando Gil, grande divulgador do pensamento filosófico português, faleceu ontem em Paris, onde residia há vários anos, vítima de doença prolongada.<BR>Natural de Moçambique, Fernando Gil tinha 69 anos, uma licenciatura em Direito pela Universidade de Lisboa e outra em Filosofia pela Sorbonne, de onde saiu doutorado em Lógica.

20 de março de 2006 às 00:00

Entre as actividades profissionais desenvolvidas, dentro e fora de Portugal, contam-se o ensino como professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa, a direcção de estudos da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris e de novo o ensino, mas desta vez como professor convidado do Johns Hopkins de Baltimore.

Consultor do ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, do seu gabinete foi emitida nota de pesar por “esta enorme perda para a Filosofia e a Ciência” e anunciada a criação do Prémio Internacional Fernando Gil.

Também Isabel Pires de Lima, ministra da Cultura, fez chegar de São Paulo, Brasil, onde se encontra, o seu testemunho: “Foi um autor brilhante e iluminado que ajudou a pensar o mundo contemporâneo”. Por último, em nome do Estado Português, manifestou-se o Presidente da República, louvando “o homem de cultura e convicções profundas”.

Muita da obra feita está publicada pela Campo das Letras, editora para a qual dirigiu a Colecção Zétezis. Prémio Pessoa de 1993 e Chevalier des Palmes Académiques de 1995, são duas de distinções mais que muitas.

PARCEIRO DE IDEIAS - EDUARDO LOURENÇO, FILÓSOFO

Eduardo Lourenço, filósofo e ensaísta português, tal como Fernando Gil, há muito radicado em Paris, soube pelo CM da morte do amigo e companheiro de ideias... “Vivíamos os dois em Paris, ele numa ponta eu noutra, por isso nos encontrávamos mais vezes em Portugal do que em França: a última vez foi há um ano, em Abril, pareceu-me bem, dentro do possível. Era um resistente! Ele é uma das grandes figuras do movimento da renovação filosófica em Portugal dos últimos 30 anos. Era um divulgador, um investigador que se interessava por questões complicadas como a relação entre a verdade e a imaginação, a verdade e a crença e por problemas concretos relativos à Cultura. Por exemplo, publicou com o Professor Hélder Macedo uma grande reflexão sobre a nossa época clássica mas era menos um literário do que um filósofo... Era um grande divulgador da História da Filosofia e é uma perda imensa para o pensamento filosófico português”.

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