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Correio da Manhã

Cultura
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GALÃ NÃO PASSA DE UM RÓTULO

Rodrigo Santoro é um dos mais desejados actores brasileiros da nova geração e, a par das novelas, desponta agora na Sétima Arte. Depois de 'Anjos de Charlie 2', o actor pode agora ser visto em 'O Amor Acontece', que hoje se estreia.
Ao CM Santoro revela como chegou ao 'plateau' e desmitifica o 'papel' de conquistador.
14 de Novembro de 2003 às 00:00
GALÃ NÃO PASSA DE UM RÓTULO
GALÃ NÃO PASSA DE UM RÓTULO FOTO: Natália Ferraz
Correio da Manhã - Como surgiu a oportunidade de integrar o elenco de "O Amor Acontece"?
Rodrigo Santoro - Tudo começou no Festival de Cinema de Veneza, em 2001. Eu estava lá a propósito do filme 'Abril Despedaçado', em que participei, e aí conheci aquela que foi a directora de 'casting' de 'O Amor Acontece', que se mostrou interessada no meu trabalho e pediu o meu contacto. No ano passado, estava a gravar 'Os Anjos de Charlie 2' quando ela me contactou para eu ir fazer uns testes. Parti para Londres, fiz o que tinha a fazer e acabei por conseguir.
- O que significou para si a participação neste filme?
- Desde o início que achei a ideia maravilhosa. Achei o guião interessante, inteligente e engraçado. Para já não falar do elenco, que na minha opinião é magistral. Todos eles são actores cujo trabalho sempre respeitei muito. A minha expectativa era a maior possível. Ainda assim, foi superada. Foi um prazer do princípio ao fim. Apesar de estar a trabalhar numa outra língua e numa outra cultura, parecia que estava em casa pela forma como fui recebido: com carinho, respeito e racionalismo.
- Como foi o convívio com as diferentes culturas?
- Os meus colegas de trabalho, principalmente a Laura (Linney), com quem contracenei directamente, foram todos de uma generosidade absoluta, amáveis, doces. Só tenho a agradecer.
- Qual a importância que este papel tem para o Rodrigo Santoro enquanto actor?
- Acho que vale muito pela experiência, mais do que pelo papel. A experiência de gravar num outro país, com outras culturas e, por conseguinte, conhecer outras formas de trabalhar contribui e acrescenta muito ao Rodrigo Santoro actor. Com este trabalho sinto que ganhei maturidade e trago mais bagagem para um próximo filme. Todos nós temos a ganhar quando se trata de novos desafios.
- O que têm em comum 'Karl' (a personagem no filme) e o Rodrigo?
- Pois, não têm nada a ver. O 'Karl' é tímido, sozinho, fechado, inseguro.
- Já teve uma experiência semelhante em 'Os Anjos de Charlie 2', mas o filme foi alvo de muitas críticas no Brasil. Teme novas observações negativas?
- (Risos) Não. Este filme tem um elenco muito forte e as pessoas vão ver o filme de qualquer maneira. O facto de eu ter feito esta obra é 'bacana', porque sou um brasileiro no meio de um monte de ingleses, assim como tem uma portuguesa (Lúcia Moniz), e acho que isso contribui bastante. Tenho a certeza que as pessoas vão gostar do filme.
- Recentemente, estreou no Brasil o filme 'Carandiru', em que faz um papel de travesti. Para um galã, isso não foi problema?
- Foi apenas mais um trabalho, um grande desafio. Acima de tudo, tive de ser profissional. O meu trabalho é esse mesmo: interpretar. Do meu ponto de vista, o galã não passa de um rótulo que me é colocado pelos media. Para mim, não faz a mínima diferença. Não me incomoda, assim como não tem qualquer significado. A personagem foi difícil de interpretar por aquilo que ela era. Foi preciso ter falta de pudor e muita coragem para interpretá-la de verdade.
- Como construiu a sua personagem? Teve que conviver com travestis?
- Sim. Tive de conviver muito de perto com travestis e entrar no seu universo. Procurei saber o porquê das pessoas se sujeitarem a operações complicadas que lhes transformam o corpo e encontrei as explicações. Depois de recolher toda essa informação, tentei apenas dar o meu melhor. E fiquei muito satisfeito com o resultado.
PERFIL
Rodrigo Junqueira dos Reis Santoro nasceu em Petrópoles, Rio de Janeiro, a 22 de Agosto de 1975. Filho de pai italiano e mãe brasileira, frequentou um curso de Comunicação na Universidade Católica do Rio de Janeiro, mas nunca chegou a conclui-lo. Santoro preferiu optar pela carreira de actor e tornou-se num rosto conhecido do grande público através das telenovelas. O vilão 'Carlos Charles Pimenta' de 'Estrela Guia', o 'Eliseu' de 'Suave Veneno' e 'Frei Malthus' na telenovela 'Hilda Furacão' foram os papéis que mais marcaram a carreira do actor. Considerado um dos maiores galãs brasileiros, actualmente podemos vê-lo na pele do rebelde e mulherengo 'Diogo' na novela da noite da SIC 'Mulheres Apaixonadas'. A nível internacional, o actor participou no filme 'Os Anjos de Charlie 2' e, recentemente, em 'O Amor Acontece'.
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