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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

HISTÓRIA MAL CONTADA

A discrição e a lealdade eram as duas qualidades que Greta Garbo não dispensava nas amigas, a fazer fé no livro da jornalista americana Diana McLellan, “Greta e Marlene. Safo em Hollywood”, leia-se, divas e amantes.

08 de janeiro de 2003 às 00:56

Com efeito, há muito que a Meca do cinema exportava para o Mundo notícias de ligação amorosa entre as duas divas que, quando confrontadas com a curiosidade da Imprensa, se remetiam a uma estudada indiferença, traduzida por um sábio encolher de ombros, pois, se nem se conheciam...

De acordo com o historial de McLellan, tudo começou por volta de 1925, no tempo que se seguiu ao fim da I Guerra Guerra Mundial... Em Berlim, viviam-se os anos loucos da euforia pela recém-restaurada paz; em Hollywood, os anos dourados da ascensão do cinema.

E é neste cenário de tempo e espaço que McLellan situa o alegado romance. Longe vinham os dias de La Garbo e La Dietrich!

O TANGO DA TANGA

Greta tinha acabado de assinar contrato com a Metro Goldwing Mayer, pelo que estava de malas aviadas com destino a Holllywood mas, pelo caminho, parou em Berlim para aí rodar com Mauritz Stiller, o realizador que a descobriu, “A Lenda de Gosta Berling”.

Estava-se então em 1924, ano que viria a ser o da estreia de Garbo no meio homossexual, o que veio a acontecer em lugar de nome Ratón Blanco, o “cabaret” mais “in” das noites berlinenses, pela mão de uma sua bailarina... Uma jovem mãe de 23 anos, cabelo negro e pele branca, temperamento atrevido e comportamento sexual voraz. O seu nome, Dietrich, Maria Magdalene Dietrich!

“A escabrosa dança nupcial de Marlene não pode ter deixado Greta indiferente”, especula McLellan que prossegue, como quem reúne as peças de um complexo “puzzle”, afirmando que, por sugestão de uma já seduzida Greta, Stiller terá incluído a sedutora Marlene na lista de figurantes de “A Lenda de Gosta Berling”, não obstante este não constar da filmografia da protagonista de “Anjo Azul”, de Sternberg, aquele a quem sempre se referia como o seu Pigmaleão.

“Se assim foi, ter-se-á arrependido amargamente o resto da vida”, sentencia McLellan que apresenta Marlene como “a bissexual mais activa e apaixonada de Berlim” em contraste com a tímida Greta para quem “a discrição era a essência do sexo”.

O que é facto é que, durante seis décadas, foram fiéis à sua versão dos acontecimentos, reafirmando repetidamente não se conhecerem, nunca se terem encontrado e muito menos contracenado... Diana McLellan afirma o contrário, socorrendo-se da película de Stiller onde descobriu, a um tempo, história mal contada e razão de ser do livro.

Segundo a autora, o final feliz em falta na história em muito se deve à indiscrição de Marlene que de Greta terá dito num dia de inspirado excesso verbal: “Era imensa ali em baixo”... Mais, na linha de pensamento de McLellan, Marlene teria chegado a afirmar a amigos e conhecidos de ambas que a amiga era, afinal, uma ignorante provinciana de vistas curtas. “Traída por um monstro que falava dos seus segredos, tratava com ligeireza a sua paixão, troçava da sua origem e se ria do seu sexo”, Greta negou. Negou tudo. Negou sempre.

Amigas ou não, amantes ou nem tanto, rejeitaram-se e rejeitadas, rejeitaram sempre. Tudo.

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