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Inéditos de Pessoa e Javier Marías, autores premiados e estreias nos novos livros de março

Editoras apresentam as suas propostas para o próximo mês.

07 de março de 2026 às 09:58

Inéditos de Fernando Pessoa e Javier Marías, obras finalistas do Booker, a estreia de escritores internacionais consagrados, e o regresso de autores já firmados no panorama literário português, marcam as novidades editoriais de março.

Duas novidades internacionais são destaque da D. Quixote, que publica pela primeira vez em Portugal a autora alemã nascida na Roménia, Iris Wollf, com o romance "Clareiras", bem como "A península das casas vazias", romance multipremiado de David Úcles, considerado um dos melhores sobre a guerra civil espanhola, que dois anos após ter sido publicado, continua ser um dos maiores acontecimentos literários dos últimos tempos.

A mesma chancela da Leya edita "Triunfo do triunfo e outros contos escolhidos", de Luísa Costa Gomes, reunião inédita de contos dispersos em periódicos e antologias.

"Entra-se na casa pelo pátio", de Carla Louro, livro vencedor da primeira edição do Prémio de Poesia Nuno Júdice, é outra das propostas, que chega juntamente com um dos finalistas do Prémio Booker 2025, "Um chapéu de leopardo", de Anne Serre, escrito após o suicídio da irmã mais nova, que tinha um problema de saúde mental.

Outra novidade da Dom Quixote é um livro que é também uma peça de teatro, intitulado "Autorretrato. Instruções para Sobreviver à máfia", de Davide Enia, que conta a experiência do autor desde criança com a máfia em Palermo.

Na chancela Minotauro, do grupo Almedina, os destaques incluem "Entardecer em Veneza", de John Banville, vencedor do Booker Prize, bem como "Impossível", sobre a fraternidade política, e "Endireitar a economia - Uma economia de direitos humanos centrada nas pessoas e no planeta", ambos de Erri de Luca, que combinam narrativa e reflexão sobre justiça social e sustentabilidade ambiental.

Morgane Delaunay publica "Retornados", nas Edições 70, uma análise aos fenómenos marcantes da história contemporânea portuguesa, enquanto Wolfram Eilenberger conclui a trilogia sobre grandes filósofos do século XX, com "Espíritos do presente - Os últimos anos da filosofia e o princípio de um novo iluminismo (1948--1984)".

Pela mesma chancela, Anthony Gottlieb apresenta "Ludwig Wittgenstein", considerada a biografia mais completa do filósofo austríaco, autor do "Tratado Lógico-Filosófico".

Na Alfaguara, estão de regresso Alba de Céspedes, com "Nas palavras dela", romance sobre amor e liberdade feminina na Itália fascista, e Elizabeth Strout, com "Os irmãos Burgess", sobre laços familiares e perdão, distinguido como Melhor Livro do Ano pelo The Washington Post e 'bestseller' do The New York Times.

De Javier Marías, chega um romance até agora inédito em Portugal, "Negras costas do tempo", que explora as fronteiras entre realidade e ficção, e Katie Kitamura lança "Audição", outro finalista do Prémio Booker, sobre identidade e relações humanas.

Em destaque na Companhia das Letras está "Análise. Notas do divã", da escritora e psicanalista Vera Iaconelli, que explora o resultado de quando é a terapeuta a sentar-se no cadeirão da terapia, uma obra que entrelaça experiência pessoal e psicanálise.

"Laços de família", de Clarice Lispector, com treze contos sobre crises existenciais, e "A morsa -- Contos de inocência e violência", de Ana Cláudia Santos, que explora conflitos internos e memórias afetivas, são outras novidades da Companhia das Letras.

Na Cavalo de Ferro, César Aira publica "A prova", romance sobre 'punks' e liberdade radical, enquanto Ken Greenhall apresenta "Elizabeth", clássico do terror gótico, e de Georges Simenon chega "O Círculo dos Mahé", um romance psicológico e enigmático.

Clara Usón, uma das mais premiadas e destacadas autoras espanholas da atualidade, estreia-se na Elsinore com "As feras", que reconstrói a vida de Idoia López Riaño, terrorista da ETA e celebridade, ao mesmo tempo que retrata a Espanha dos anos 1980, marcada pelo terrorismo.

A Penguin Clássicos publica textos inéditos de Fernando Pessoa em "Uma história da literatura portuguesa", sobre literatura portuguesa e arte, e Olympe de Gouges assina "Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã", resposta à exclusão feminina dos privilégios colhidos na Revolução Francesa.

Na editora Guerra e Paz, destacam-se os romances "Ano zero", do jornalista e escritor João Céu e Silva, e um novo volume da coleção "Fio da memória", num diálogo de José Barata-Moura com José Jorge Letria, com reflexões sobre filosofia e cultura.

Entre os lançamentos da Gradiva, contam-se "O fantasma do rei Leopoldo", de Adam Hochschild, finalista do The National Book Critics Circle, bem como "Os livros que não escrevi", do critico literário George Steiner.

Entre as novidades em língua portuguesa da editora, o destaque vai para "Como caminhar num pântano", de Marta Pais Oliveira.

Pela Relógio d'Água, chegam às livrarias "Ensaios", de Thomas Mann, "A Terra no Inverno", de Andrew Miller, finalista Prémio Booker 2025, "Contar uma história", de John Berger e Susan Sontag, "O terceiro reino", de Karl Ove Knausgård, e "Espanto", de Zeruya Shalev.

Na poesia, a Assírio & Alvim publica "77 Sonetos para um Ensaio Geral", de Bernardo Maria Salgado, "Nesta melodia graciosa", de Graça Videira Lopes, e "Duas novelas", de Emmanuel Bove.

A Tinta-da-China traz "À flor da língua", de Gregorio Duvivier, "A beleza de um corpo nu", de José António Bandeirinha, e "Postes de luz para cães vadios", de Raquel Nobre Guerra.

"Matamos Stella e outros contos", de Marlen Haushofer, autora de "A parede", é a proposta da Antígona

Na Orfeu Negro, Luce Irigaray assina "Sexo que não é um sexo", e Malcom Ferdinand publica "Uma ecologia decolonial".

A Presença aposta em "A cada um o seu", de Leonardo Sciascia, que constrói um policial intelectual ambientado na Sicília, onde um crime aparentemente simples revela uma teia de poder, silêncio e cumplicidades.

Outra novidade desta editora é o mais recente livro da ativista paquistanesa Malala Yousafzai, a pessoa mais jovem a ter recebido o Prémio Nobel da Paz, intitulado "O meu caminho", um retrato íntimo do seu crescimento, explorando identidade, amor, amizade e a busca por equilíbrio após ter-se tornado uma figura pública.

A Quetzal inaugura a sua nova coleção, "Biblioteca de Alexandria", com o lançamento de "A Vida de Lazarillo de Tormes e suas fortunas e adversidades", originalmente publicado no ano de 1554, por autor anónimo, agora traduzido por Margarida Amado Acosta, e "Robinson Crusoe", de Daniel Defoe, originalmente publicado no Reino Unido em 1719, agora traduzido por João Pedro Vala.

Na mesma chancela sai um novo romance da autora nigeriana Oyinkan Braithwaite, intitulado "Maldição de família", bem como "As flores do bem", do neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro.

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