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Correio da Manhã

Cultura
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Isabel de Nóbrega morre aos 96 anos

Escritora e jornalista foi a segunda mulher do Nobel (que a apagou de ‘Memorial do Convento’).
Duarte Faria 3 de Setembro de 2021 às 08:51
Isabel da Nóbrega
Viveu 16 anos com José Saramago
Isabel da Nóbrega
Viveu 16 anos com José Saramago
Isabel da Nóbrega
Viveu 16 anos com José Saramago
Nos anos 50 e 60 era uma das mulheres mais belas de Lisboa e uma promessa literária.

Foi por esses anos que Isabel da Nóbrega se tornou musa do crítico e ensaísta João Gaspar Simões e, já na década seguinte, de José Saramago, com que foi viveu entre 1970 e 1986 - foi a segunda mulher do Nobel, que à data era um simples jornalista e tradutor.

Na 1ª edição de ‘Memorial do Convento’ - foi ela que escolheu o nome da protagonista, ‘Blimunda’ -, publicado em 1982, Saramago dedicou-lhe mesmo palavras: "À Isabel, porque nada perde ou repete, porque tudo cria e renova". Palavras essas que desapareceram em edições posteriores. Apagada da história de Saramago, o nome de Isabel nunca saiu, contudo, do panorama literário desde que, em 1952, se estreou na ficção com ‘Os Anjos e os Homens’ - atingiu a consagração com o romance ‘Viver com os Outros’ (1964).

Escritora, jornalistas e tradutora, Isabel da Nóbrega, nascida Isabel Guerra Bastos Gonçalves, em Lisboa, em junho de 1925, morreu esta quinta-feira, no Estoril, aos 96 anos. Estava internada num lar e teve morte natural. Escreveu para teatro, rádio e televisão e deixa milhares de crónicas. Venceu o Prémio Camilo Castelo Branco e o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores, entre muitos outros. Teve três filhos e era irmã da atriz Tareka, mãe de Tozé Martinho.

Velório decorre esta sexta-feira na Basílica da Estrela, Lisboa
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