A música como instrumento de aproximação à herança histórico-cultural portuguesa é o tema das Jornadas Europeias do Património (JEP), que decorrem hoje e amanhã, em diversos monumentos e locais de Norte a Sul do País.
“A música atrai muito público e realça o património de uma forma que o público não está habituado. Através dos diversos concertos, as pessoas que já visitaram um determinado monumento podem lá voltar e os que não o conhecem têm agora uma razão para o fazer”, disse ao CM João Belo Rodeia, presidente do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), coordenador nacional das JEP.
Sob o lema ‘A Música (en)canta o Património’, as JEP compreendem 212 iniciativas gratuitas, entre concertos, exposições, passeios, conferências, ‘workshops’, visitas guiadas e teatro, a ocorrer em 132 locais de 65 concelhos. A música vai ecoar, portanto, em locais, como os Mosteiros de Alcobaça, da Batalha e de Tibães e os Palácios de Mafra, de Belém e Sintra, entre muitos outros. Numa acção inédita, o Mosteiro dos Jerónimos recebe a estreia absoluta do Concerto (Inter)Face Acústica para um Monumento, uma obra escrita e dirigida por Eli Camargo Júnior especialmente concebida para o espaço.
CLASSIFICAÇÃO A AUMENTAR
A classificação é um dos instrumentos do IPPAR para proteger imóveis de reconhecido valor arquitectónico e, nos últimos dois anos, foram abertos cem processos de classificação de imóveis do século XX.
“A área da classificação não tem fim. Mas temos feito um grande esforço, regularizando processos em atraso e abrindo novos processos em imóveis sujeitos à destruição ou à desfiguração a prazo”, referiu o presidente do IPPAR.
Actualmente, encontram-se abertos processos de classificação de uma centena de edifícios do século XX, entre os quais a Casa da Música (Porto), o Estádio Municipal de Braga.
A preservação do território como património cultural, a proximidade dos cidadãos, a sustentabilidade do IPPAR, uma maior ambição cultural e a abertura ao País e ao Mundo permanecem os cinco principais objectivos do mandato de João Belo Rodeia.
TURISMO PODE SER PERIGOSO
O turismo sem controlo pode pôr em risco as cidades classificadas Património da Humanidade pela Unesco.
O alerta foi lançado pelo presidente da Organização das Cidades Património Mundial, George Giannopoulos, segundo o qual “uma onda descriminada de turistas pode provocar, com o tempo, danos irreversíveis em cidades históricas”. A declaração foi proferida no decurso do VII Colóquio Mundial de Cidades com Património, que se realiza no Peru. Para aquele responsável, que é também presidente da Câmara da cidade de Rodes, na Grécia, é necessário que cada cidade encontre a sua própria fórmula para conciliar o turismo com a conservação do património.
Em Portugal são património da humanidade os centros Histórico do Porto, Guimarães, Évora, Sintra, Angra do Heroísmo (Açores), entre outros locais.
EMBAIXADA
A embaixada de França abre o Palácio de Santos (R. de Santos-o-Velho) entre as 10h00 e as 18h00 para visitas guiadas. Inscrições devem ser feitas pelo telefone:
21 311 14 75
GUIMARÃES
No Paço dos Duques de Bragança realizam-se vários ‘Momentos Musicais’ e há visitas livres ao Museu e outros espaços do palácio habitualmente encerrados ao público.
SINTRA
No Palácio Nacional da vila, no Palácio da Pena e em Monserrate há música para todas as sensibilidades. Destaque para os ‘Prelúdios de Luís Freitas Branco, às 16h00, na Pena.
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