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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Morreu o pianista de jazz sul-africano Abdullah Ibrahim

Tinha 91 anos.

15 de junho de 2026 às 20:48

O pianista e compositor de jazz sul-africano Abdullah Ibrahim morreu esta segunda-feira, aos 91 anos, na Alemanha, anunciou a família, em comunicado.

O pianista, que gravou mais de 70 álbuns, "faleceu serenamente, rodeado pela família, na Alemanha, na sequência de uma doença", detalhou a família.

Nascido Adolph Johannes Brand, em 1934, começou a ter aulas de piano aos sete anos, influenciado pela mãe, que tocava na igreja e acompanhava também projeções de filmes mudos.

De acordo com o seu site oficial, ao longo da sua carreira de mais de 75 anos, Ibrahim ajudou a expandir a linguagem do jazz ao ligar diretamente o género desenvolvido em Nova Iorque às suas raízes em África.

Devido ao regime do 'apartheid' sul-africano, Ibrahim mudou-se para Nova Iorque, onde viveu durante mais de 30 anos.

Residiu no Chelsea Hotel, estudou na Juilliard e constituiu família.

Na década de 1960, o jazz tornou-se um símbolo da resistência ao 'apartheid' devido à diversidade racial dos seus grupos e do seu público.

Durante uma visita à África do Sul, em 1974, gravou a composição “Mannenberg”, considerada por muitos uma peça central do movimento anti 'apartheid' devido ao uso frequente em manifestações e protestos, lê-se na mesma publicação.

Ibrahim e a futura esposa, a cantora Sathima Bea Benjamin, assinaram um contrato para atuar num clube em Zurique, na Suíça. Foi ali que o músico sul-africano foi descoberto, em 1963, pelo pianista norte-americano Duke Ellington (1899-1974), que ficou tão impressionado que o levou para uma sessão de gravação em Paris.

“Tocámos uma música para ele e, no dia seguinte, apanhei o comboio para Paris e ele gravou-nos”, recordou Ibrahim, numa entrevista ao portal AmNews, citada no seu site oficial.

Abdullah Ibrahim atuou na tomada de posse de Mandela como primeiro Presidente negro da África do Sul, em 1994. Fundou uma escola de jazz no país, mas prosseguiu a sua carreira internacional.

Para este ano tinha anunciados três concertos na Alemanha: um recital a solo a 28 de julho, em Munique, no âmbito do Jazz Sommer im Bayerischen Hof, e duas atuações de piano a solo nos dias 30 e 31 de outubro, no Gasthof Hirzinger, em Söllhuben.

Em Portugal, atuou pela última vez em 2022, no Theatro Circo, em Braga.

Atou também em 2016 e 2011 no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa, tendo atuado ainda no Guimarães Jazz 2006, entre outros.

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