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Correio da Manhã

Cultura

Noticias polémicas e ajustes de contas

As marcas que o cinema deixou em 2016
Leonardo Ralha e Rui Pedro Vieira 4 de Janeiro de 2017 às 19:00
FOTO: D.R.
Venceu o Óscar de Melhor Filme e é um dos melhores estreados em Portugal ao longo de 2016: ‘O Caso Spotlight’ surpreendeu crítica e público ao levar para as telas a investigação do ‘Boston Globe’ ao escândalo de pedofilia na Igreja Católica dos EUA. Tom McCarthy escreveu e realizou o filme com Mark Ruffalo (no papel do luso-descendente Mike Rezendes), Michael Keaton e Rachel McAdams, demonstrando que a denúncia de injustiças pela comunicação social pode resultar em grande cinema.

Também inquietante e inesquecível é ‘Animais Noturnos’, a segunda longa-metragem do estilista Tom Ford, em que a galerista interpretada por Amy Adams é abalada por um manuscrito enviado pelo ex-marido, que deixou 19 anos antes. O passado a dois funde-se com a tragédia descrita no livro, cujo protagonista é imaginado pela leitora como Jake Gyllenhaal, tal como o homem a quem ela fez algo imperdoável.

No ano em que a Disney ficou perto de faturar 6,7 mil milhões de euros, com ajuda de ‘Vaiana’ e ‘Rogue One: Uma História de Star Wars’, destacaram-se ainda ‘Deadpool’, o anti-herói cujo humor negro acertou onde muitos super-heróis falharam, e a imaginação delirante de ‘A Lagosta’.

Grandes papeis
Em ano de grandes interpretações, Jeff Bridges destacou-se em ‘Custe o que Custar’, como um ranger do Texas à beira da reforma que segue dois irmãos atirados para a vida do crime, e o oscarizado Leonardo DiCaprio resistiu a tudo em ‘The Revenant: O Renascido’. Quanto a Amy Adams, não só apareceu devastada e devastadora em ‘Animais Noturnos’ como quebrou barreiras como a linguista Louise Banks, a quem coube comunicar com os extraterrestres de ‘O Primeiro Encontro’.

Flop biblico
Se a corrida para fiasco do ano fosse de quadrigas, o novo ‘Ben-Hur’ seria o primeiro. Trucidado pela crítica, teve um prejuízo acima dos 50 milhões de euros. Também ‘Esquadrão Suicida’ desagradou aos fãs da BD mas portou-se bem nas bilheteiras. Entre as sequelas, ‘Alice do Outro Lado do Espelho’ perdeu-se nos efeitos especiais, tal como ‘O Dia da Independência: Nova Ameaça’.

Boa animação
A animação está a ser o género que mais leva às salas, com ‘À Procura de Dory’ (Pixar) e ‘Zootrópolis’ (Disney) a colherem elogios e quase 900 milhões de euros cada. Já em Portugal o filme mais visto foi ‘A Vida Secreta dos Nossos Bichos’, com 603 mil espectadores. Destacaram--se ainda ‘Trolls’, ‘O Panda do Kung Fu 3’ e, nos independentes, ‘Anomalisa’ e ‘As Memórias de Marnie’.

Fitas nacionais 
Tal como já sucedera à nova versão de ‘O Leão da Estrela’, a reinvenção de ‘A Canção de Lisboa’ não chegou perto do enorme sucesso de ‘O Pátio das Cantigas’. Ainda assim, a comédia escrita e realizada por Pedro Varela foi o filme português mais visto, com 187 mil espectadores. Pior nas bilheteiras, mas muito mais bem recebidos pela crítica foram ‘Cartas da Guerra’, de Ivo M. Ferreira, e ‘Axilas’, o último filme de José Fonseca e Costa.
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