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Correio da Manhã

Cultura
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O Inverno dos toiros na Terceira

A D. Maria de Fátima Fernandes Ferreira, herdeira da ganadaria açoriana da Casa Agrícola José Albino Fernandes, com solar do efetivo nos "picos" da Ilha Terceira e antiguidade de abril de 1972, explicou-me, a quando da minha inesquecível visita a esses lugares de encanto e tradição: "que viver numa ilha limita bastante os nossos horizontes mas não abate as nossas paixões".
João Aranha 17 de Janeiro de 2015 às 19:23
FOTO: D.R.

A D. Maria de Fátima Fernandes Ferreira, herdeira da ganadaria açoriana da Casa Agrícola José Albino Fernandes, com solar do efetivo nos "picos" da Ilha Terceira e antiguidade de abril de 1972, explicou-me, a quando da minha inesquecível visita a esses lugares de encanto e tradição: "que viver numa ilha limita bastante os nossos horizontes mas não abate as nossas paixões". A visão do que estava a ser-me mostrado, conjuntamente com essa curiosa afirmação, tornaram fácil entender os porquês da enorme afición dos seus conterrâneos e o carinho e  paixão que, ao longo dos tempos, têm dedicado à festa de toiros.

A partir de um DVD, de muita qualidade e rara fidelidade, dedicado a essa ganadaria, que me proporcionou algumas horas de pleno deleite na comunhão dessas mesmas paixões e respeito pelo toiro bravo (afinal o elemento principal da "festa"), foi  possível valorizar como é tratado o toiro bravo durante a dura invernia atlântica e insular numa Casa Agrícola com responsabilidades no meio. Num espaço onde não há luxos e tudo o que nos é mostrado e transmitido com ardor, movimento e laboriosa atividade, nos transporta para os" Picos"  e "canadas", onde o toiro pasta e se reproduz. Da alimentação aos trabalhos veterinários, das "ferras aos "desmames", às apartações e inclusive uns arremedos de transumância quando é caso disso. Tudo filmado com rigor, num excelente trabalho, de Nuno Rocha, que nos delicia por ver como os "pastores" (como ali são conhecidos os que disso tratam), não usam de cavalos nem cabrestos, levando os toiros às mangas numa ação em equipa, apenas com uso da voz, de umas longas varas e das próprias pernas. Notável, mesmo para quem sabe como o toiro se comporta, no campo, sempre que lhe respeitemos o seu espaço e as sua querenças.

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